Sarampo volta ao Radar: Quem Precisa Conferir a Vacina?
O sarampo voltou ao centro das atenções das autoridades de saúde. Em 2026, o aumento expressivo de casos nas Américas e a identificação de registros no Brasil levaram o Ministério da Saúde a reforçar a vacinação e a vigilância contra a doença.
Até o momento, o Brasil contabiliza 24 casos de sarampo em 2026, todos relacionados à importação do vírus. Três já foram encerrados sem risco de disseminação, enquanto 21 seguem em acompanhamento em São Paulo. Mesmo assim, o país mantém o status de livre da circulação endêmica do sarampo.
Nas Américas, porém, o cenário preocupa. Até meados de junho, a região havia registrado 22.324 casos confirmados em 17 países e territórios, além de 38 mortes. México, Guatemala, Estados Unidos e Canadá concentravam a maior parte dos registros.
Por isso, o principal recado das autoridades é simples: quem não sabe se está com a vacinação completa deve conferir a caderneta.
Por que o sarampo preocupa tanto?
O sarampo é uma doença viral altamente contagiosa. A transmissão ocorre principalmente pelo ar, por meio de secreções respiratórias eliminadas ao falar, tossir, espirrar ou respirar próximo de outras pessoas.
Além disso, uma pessoa infectada pode transmitir o vírus antes mesmo do aparecimento das manchas características na pele. Por isso, a doença pode se espalhar rapidamente em grupos com baixa cobertura vacinal.
Embora muitas pessoas se recuperem sem complicações, o sarampo pode provocar pneumonia, infecções no ouvido, encefalite e outras complicações graves, especialmente em crianças pequenas e pessoas com condições de saúde que comprometem a imunidade.
Quem precisa conferir a vacina?
A vacina tríplice viral protege contra sarampo, caxumba e rubéola. Ela está disponível gratuitamente pelo SUS. O esquema recomendado varia conforme a idade e o histórico vacinal.
Crianças
A primeira dose deve ser aplicada aos 12 meses.
Já a segunda dose ocorre aos 15 meses, por meio da vacina tetraviral, que também protege contra a varicela. Portanto, pais e responsáveis devem conferir se a criança recebeu as duas doses previstas.
Pessoas de 5 a 29 anos
Quem não recebeu as vacinas na infância ou não possui comprovação deve tomar duas doses da tríplice viral, com intervalo mínimo de 30 dias.
Quem já possui registro de duas doses é considerado vacinado.
Adultos de 30 a 59 anos
Pessoas nessa faixa etária que não possuem comprovação de vacinação anterior devem receber uma dose da tríplice viral.
Por isso, adultos que perderam a caderneta ou não lembram se foram vacinados devem procurar uma Unidade Básica de Saúde para receber orientação.
Profissionais de saúde
Profissionais de saúde devem ter comprovação de duas doses da vacina tríplice viral, independentemente da idade, devido ao maior risco de contato com pessoas infectadas.
E os bebês menores de 1 ano?
No calendário de rotina, a primeira dose contra o sarampo ocorre aos 12 meses.
Entretanto, em situações de surto ou maior risco de circulação do vírus, crianças entre 6 e 11 meses podem receber uma dose antecipada, conhecida como “dose zero”.
Essa dose adicional não substitui o esquema normal. Portanto, a criança ainda deverá receber as vacinas previstas aos 12 e 15 meses. Atualmente, o Ministério da Saúde adotou essa estratégia em áreas específicas de São Paulo devido aos casos identificados em 2026.
Quem não deve tomar a tríplice viral?
Como utiliza vírus vivos atenuados, a vacina possui algumas contraindicações.
Segundo o Ministério da Saúde, não devem receber a tríplice viral:
- gestantes;
- crianças menores de 6 meses;
- pessoas com imunossupressão grave;
- pessoas que já apresentaram reação alérgica grave a componentes da vacina.
Mulheres em idade fértil também devem evitar engravidar por pelo menos um mês após receber a vacina. Em caso de dúvida ou condição especial de saúde, a orientação deve ser individualizada pela equipe da UBS.
Quais são os sintomas do sarampo?
Os primeiros sintomas podem ser confundidos com outras infecções respiratórias.
Entre os sinais mais comuns estão:
- febre;
- tosse;
- coriza;
- olhos vermelhos e irritados;
- mal-estar;
- manchas vermelhas na pele.
As manchas costumam começar no rosto e se espalhar pelo corpo.
Quem apresentar sintomas compatíveis, principalmente após viagem ou contato com pessoa diagnosticada, deve procurar atendimento e informar a suspeita antes de permanecer em ambientes com outras pessoas.
Casos nas Américas aumentaram muito em 2026
A Organização Pan-Americana da Saúde reforçou o alerta epidemiológico após o crescimento dos casos na região.
Até a semana epidemiológica 28, encerrada em 18 de julho, as Américas já haviam registrado 47.459 casos confirmados de sarampo em 16 países.
Esse cenário aumenta o risco de casos importados em países que já eliminaram a transmissão contínua da doença. Por isso, pessoas que planejam viagens internacionais também devem conferir a situação vacinal com antecedência.
Brasil mantém status de país livre do sarampo
Apesar dos registros recentes, o Brasil continua considerado livre da circulação endêmica do vírus.
O país recuperou essa certificação em novembro de 2024. No entanto, a entrada de pessoas infectadas vindas de outros países pode provocar novos casos e cadeias de transmissão quando existem grupos sem vacinação adequada. Por isso, manter coberturas vacinais elevadas continua sendo fundamental.
Onde tomar a vacina no DF?
No Distrito Federal, a tríplice viral está disponível nas unidades que oferecem vacinação de rotina. A SES-DF mantém uma relação atualizada de UBSs, endereços e horários de atendimento.
Para receber a vacina, é recomendado levar documento de identificação e caderneta de vacinação.
Entretanto, quem perdeu o cartão também deve procurar uma UBS. A equipe pode avaliar o histórico disponível e orientar sobre as doses necessárias.
Locais de Vacinação no DF
Vacinação continua sendo a principal proteção
O aumento do sarampo nas Américas não significa que o Brasil esteja vivendo novamente uma epidemia da doença. No entanto, os casos importados mostram que o vírus pode voltar a circular se encontrar pessoas sem proteção.
Assim, conferir a caderneta é uma medida simples que protege não apenas quem recebe a vacina, mas também crianças pequenas e pessoas que não podem ser imunizadas por motivos de saúde.
Durante a Campanha de Multivacinação 2026, que segue até 1º de setembro, a recomendação é aproveitar a oportunidade para revisar todas as doses e manter a proteção em dia.
