Doação de sangue tem novas regras no Brasil; veja o que mudou
As regras para doação de sangue mudaram no Brasil. Desde 30 de setembro de 2026, novos critérios passaram a valer para definir quem pode doar e os períodos de espera exigidos após determinadas situações, procedimentos e tratamentos.
As alterações estão previstas na Portaria GM/MS nº 11.685/2026, do Ministério da Saúde, que atualizou o regulamento técnico de hemoterapia. Entre as principais mudanças estão o fim da idade máxima para doadores regulares, prazos menores após tatuagens e procedimentos estéticos e novas medidas de segurança para a triagem do sangue.
As regras também chamam atenção para uma dúvida cada vez mais comum: quem usa medicamentos como Ozempic, Wegovy e Mounjaro pode doar sangue? O Ministério da Saúde publicou neste ano uma orientação específica para usuários de agonistas do receptor de GLP-1.
Pessoas com mais de 70 anos poderão continuar doando
Uma das principais mudanças é o fim da idade máxima para doadores voluntários regulares.
Antes, mesmo quem tinha o hábito de doar precisava interromper as doações aos 70 anos. Agora, essas pessoas poderão continuar doando depois dessa idade, desde que estejam saudáveis, sejam consideradas aptas em avaliação médica e respeitem os intervalos e a frequência determinados pelo serviço de hemoterapia.
Isso não significa, porém, que qualquer pessoa com mais de 70 anos poderá fazer a primeira doação.
O Ministério da Saúde mantém como critério geral a idade entre 16 e 69 anos, com regras específicas relacionadas à idade da primeira doação. A novidade é a possibilidade de os doadores regulares continuarem contribuindo depois dos 70 anos.
Quem usa Ozempic ou Mounjaro pode doar sangue?
Sim. O simples uso das chamadas canetas emagrecedoras não impede automaticamente a doação de sangue.
A orientação do Ministério da Saúde abrange medicamentos agonistas do receptor de GLP-1, entre eles semaglutida, liraglutida e dulaglutida, além da tirzepatida. Entre os produtos citados no documento estão Ozempic, Wegovy, Rybelsus, Victoza, Saxenda, Trulicity, Mounjaro e Zepbound.
O candidato, entretanto, deve informar o uso do medicamento durante a triagem.
A pessoa ficará temporariamente inapta caso tenha iniciado o tratamento ou aumentado a dose nos últimos 14 dias. O mesmo ocorre na presença de diarreia persistente, náuseas, vômitos, refluxo gastroesofágico grave ou sinais e sintomas de desidratação, como tontura, sensação de desmaio ou desmaio.
Nesses casos, é necessário aguardar pelo menos 14 dias após a resolução dos sintomas ou depois do início ou aumento da dose.
Portanto, quem já está utilizando a mesma dose regularmente, está bem hidratado e não apresenta esses sintomas não precisa esperar 14 dias após cada aplicação apenas por utilizar a caneta. A aptidão final, porém, continua dependendo da triagem realizada pelo serviço de hemoterapia.
Compartilhar a caneta também interfere na doação
Outro ponto importante — e ainda pouco conhecido — envolve o compartilhamento de medicamentos injetáveis.
A nota técnica do Ministério da Saúde determina que o candidato que utiliza agonistas de GLP-1 injetáveis seja questionado especificamente sobre eventual compartilhamento da medicação.
O documento estabelece que o não compartilhamento é um critério obrigatório para a segurança de quem recebe o sangue. Caso o candidato informe que compartilhou a medicação injetável, deverá ser considerado temporariamente inapto por período ampliado, conforme os critérios estabelecidos na regulamentação de hemoterapia.
Na prática, a orientação é relevante porque dispositivos de aplicação de medicamentos injetáveis não devem ser compartilhados entre pessoas, mesmo quando há troca da agulha.
A triagem do hemocentro será responsável por avaliar o caso e informar o prazo necessário antes de uma nova tentativa de doação.
Por que as canetas exigem atenção?
Medicamentos desse grupo podem provocar redução do apetite e da ingestão de líquidos, além de efeitos gastrointestinais como náuseas, vômitos, diarreia e constipação.
Segundo o Ministério da Saúde, essas condições podem favorecer desidratação e alterações no equilíbrio de líquidos do organismo, aumentando o risco de queda da pressão, mal-estar e desmaio durante ou depois da doação.
Por isso, quem utiliza o medicamento e estiver apto a doar deve reforçar a alimentação e a hidratação antes da coleta e aumentar a ingestão de líquidos nas horas seguintes. A orientação também é permanecer na unidade por pelo menos 15 minutos após a doação.
Tatuagem pode exigir apenas sete dias de espera
Outra mudança importante envolve tatuagens, maquiagem definitiva e procedimentos estéticos invasivos, como botox, preenchimento e microagulhamento.
A doação poderá ocorrer apenas sete dias depois, desde que seja possível assegurar que o procedimento foi realizado em condições adequadas de segurança sanitária.
Quando não for possível fazer essa avaliação, o período de impedimento será de quatro meses.
A mudança reduz de forma significativa os períodos adotados anteriormente para esses procedimentos.
E quem colocou piercing?
Para piercing, a nova regra também permite um prazo de sete dias quando é possível avaliar que o procedimento foi realizado em condições sanitárias seguras.
Quando isso não puder ser confirmado, a pessoa deverá aguardar quatro meses.
Existe uma regra diferente para piercings localizados na boca ou na região genital: nesses casos, a doação poderá ser realizada somente quatro meses após a retirada do acessório.
Endoscopia passa a exigir quatro meses
Quem realizou procedimento endoscópico também terá um período de espera menor.
O prazo de inaptidão, que era de seis meses, passa para quatro meses.
A mesma redução foi estabelecida para pessoas que utilizaram anabolizantes sem prescrição médica.
Algumas exposições de risco também tiveram prazo reduzido
As novas regras reduzem de 12 para quatro meses o período de impedimento em diversas situações consideradas de maior risco para aquisição de infecções transmissíveis pelo sangue.
Nem todas, porém, tiveram redução.
De acordo com a Fundação Hemominas, continuam com prazo de 12 meses, por exemplo, algumas situações envolvendo diagnóstico de infecção sexualmente transmissível, uso de determinadas drogas por via inalatória e confinamento obrigatório.
Por isso, situações individuais devem ser relatadas durante a entrevista realizada antes da coleta.
Brasil passa a testar todas as bolsas para malária
Outra mudança importante acontece nos bastidores dos hemocentros.
O Brasil passou a adotar obrigatoriamente o teste molecular para malária em todas as bolsas de sangue coletadas.
O exame integra o NAT Plus, tecnologia desenvolvida por Bio-Manguinhos/Fiocruz que já era utilizada para detectar HIV e hepatites B e C e agora também identifica o parasita causador da malária.
Segundo o Ministério da Saúde, o Brasil é o primeiro país a tornar essa testagem obrigatória em 100% das bolsas.
Com a nova tecnologia, pessoas que estiveram em municípios de áreas endêmicas ou tiveram exposição em regiões de mata, bosque ou floresta ficam impedidas de doar por 30 dias. Antes, dependendo da situação, o período poderia chegar a 12 meses.
Plaquetas poderão durar mais
A validade dos concentrados de plaquetas também poderá aumentar de cinco para até sete dias, desde que os serviços de hemoterapia adotem os controles de qualidade exigidos.
Como as plaquetas têm vida útil curta e são utilizadas com frequência no tratamento de pacientes com câncer, doenças hematológicas e pessoas submetidas à quimioterapia, a mudança pode ajudar a reduzir perdas e melhorar a disponibilidade do componente.
Quem pode doar sangue?
De maneira geral, o candidato deve estar em boas condições de saúde, pesar pelo menos 50 quilos, estar descansado e alimentado e apresentar documento oficial de identificação com foto.
A idade geral para doação permanece entre 16 e 69 anos, com regras específicas para menores de 18 anos e para pessoas mais velhas. Doadores regulares, como previsto na nova regulamentação, poderão continuar doando depois dos 70 anos se forem considerados aptos.
Antes de qualquer coleta, todos passam por uma triagem clínica individual. Medicamentos, procedimentos recentes, viagens, doenças e outras condições podem alterar temporariamente a possibilidade de doar.
Por isso, quem tiver dúvida sobre uma situação específica deve consultar o hemocentro antes de se deslocar para a doação.
