Saúde

Estudo: Perda Rápida de Peso pode Superar Estratégia Gradual

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Um estudo apresentado no Congresso Europeu sobre Obesidade, o ECO 2026, realizado em Istambul, na Turquia, aponta que a perda rápida de peso pode funcionar melhor do que o emagrecimento gradual em adultos com obesidade. Além disso, os dados indicam que essa estratégia não aumentou, no período analisado, o risco de recuperar os quilos perdidos.

Durante um ano, os pesquisadores acompanharam adultos com obesidade e compararam dois tipos de intervenção. De um lado, um grupo seguiu um programa estruturado de emagrecimento rápido. De outro, participantes passaram por uma estratégia de perda gradual de peso.

Ao final do acompanhamento, o grupo que emagreceu mais rapidamente perdeu mais peso, manteve melhores resultados e atingiu com mais frequência metas clínicas associadas à redução do risco de doenças como diabetes tipo 2, hipertensão, problemas cardiovasculares e osteoartrite.

No entanto, os autores fazem um alerta importante. A pesquisa não defende dietas radicais, restrições sem controle ou métodos de emagrecimento feitos sem orientação profissional. Pelo contrário, o estudo avaliou um programa supervisionado, com acompanhamento contínuo, metas definidas e uma fase específica para manutenção do peso.

Estudo questiona recomendação antiga

Durante décadas, muitos profissionais de saúde defenderam que perder peso devagar seria sempre mais seguro e mais sustentável. Porém, os pesquisadores afirmam que essa recomendação se apoiou, em grande parte, em estudos observacionais ou de menor escala.

Agora, o novo ensaio clínico randomizado amplia a discussão sobre o tema. Esse tipo de estudo permite comparar grupos de forma mais controlada e, por isso, costuma oferecer evidências mais consistentes.

Ainda assim, os autores destacam que os resultados não significam que toda pessoa com obesidade deva buscar uma perda rápida de peso. A indicação precisa considerar o estado de saúde, o histórico clínico, o risco nutricional e a capacidade de seguir um programa estruturado.

A autora principal do estudo, Line Kristin Johnson, aponta que perdas iniciais mais expressivas podem aumentar a motivação de alguns participantes. Entretanto, a pesquisa avaliou principalmente resultados clínicos. Portanto, ela não investigou em profundidade os mecanismos psicológicos envolvidos na adesão ao tratamento.

Como a pesquisa funcionou

Pesquisadores do Vestfold Hospital Trust, na Noruega, conduziram o ensaio clínico em parceria com a empresa Roede AS. Ao todo, o estudo reuniu 284 adultos com obesidade.

A equipe dividiu os participantes em dois grupos. O primeiro seguiu um programa de perda rápida de peso. Já o segundo adotou uma estratégia de emagrecimento gradual.

No grupo de emagrecimento rápido, os participantes seguiram uma dieta mais restritiva durante as primeiras 16 semanas. Nas oito primeiras semanas, eles consumiram menos de 1.000 calorias por dia. Depois, entre a 9ª e a 12ª semana, o limite ficou abaixo de 1.300 calorias diárias. Por fim, da 13ª à 16ª semana, a ingestão diária ficou abaixo de 1.500 calorias.

Enquanto isso, o grupo de perda gradual reduziu a ingestão energética de forma moderada. Esses participantes consumiram entre 800 e 1.000 calorias a menos do que o gasto energético diário estimado. A média informada ficou em torno de 1.400 calorias por dia.

Após essa primeira etapa, todos os participantes entraram no mesmo programa de prevenção do reganho de peso, com duração de 36 semanas. Nessa fase, eles participaram de encontros presenciais em grupo, webinars, contatos por vídeo e telefone e ajustes progressivos na alimentação.

Além disso, segundo os autores, a maioria decidiu continuar emagrecendo mesmo depois das primeiras 16 semanas.

Grupo de perda rápida perdeu mais peso

Os resultados mostraram diferença entre os grupos já nos primeiros meses.

Nas primeiras 16 semanas, o grupo de perda rápida reduziu, em média, 12,9% do peso corporal. Já o grupo de perda gradual perdeu, em média, 8,1%.

Depois de um ano, a diferença continuou. O grupo que seguiu o programa de emagrecimento rápido alcançou perda média de 14,4% do peso corporal. Enquanto isso, o grupo gradual chegou a uma redução média de 10,5%.

Dessa forma, os pesquisadores concluíram que o emagrecimento rápido, quando ocorre dentro de um programa estruturado, pode gerar melhores resultados sem provocar maior reganho de peso no período analisado.

Mais participantes atingiram metas ligadas à saúde

Além da perda total de peso, os pesquisadores analisaram metas clínicas associadas à redução de riscos relacionados à obesidade.

Um dos indicadores avaliados foi o índice de massa corporal, o IMC. Segundo estudos anteriores citados pelos autores, alcançar IMC igual ou inferior a 27 kg/m² pode reduzir, ao longo dos anos, o risco de doenças associadas à obesidade.

Após 12 meses, 28,3% dos participantes do grupo de perda rápida atingiram essa meta. No grupo gradual, apenas 9,7% chegaram ao mesmo resultado.

Os pesquisadores também avaliaram a relação cintura-estatura, indicador associado ao risco cardiovascular. Nesse caso, 33% dos participantes do grupo de perda rápida alcançaram a meta considerada ideal. No grupo gradual, o percentual ficou em 18,4%.

Além disso, mais pessoas do grupo de emagrecimento rápido atingiram metas relacionadas à redução do risco de diabetes tipo 2, hipertensão, doença cardiovascular aterosclerótica e osteoartrite de quadril e joelho.

Pesquisa não incentiva dietas sem orientação

Apesar dos resultados favoráveis, os autores reforçam que o emagrecimento rápido exige acompanhamento profissional. Sem supervisão, a pessoa pode adotar uma dieta pobre em nutrientes, desenvolver deficiências nutricionais, abandonar o tratamento com mais facilidade ou recorrer a métodos inseguros.

Outro ponto importante envolve a resposta do próprio organismo. Quando uma pessoa perde peso, o corpo pode reduzir o gasto energético e aumentar os sinais de fome. Por isso, sem uma transição adequada para a fase de manutenção, o risco de recuperar peso cresce.

Assim, o estudo não defende soluções rápidas nem dietas extremas. O principal recado é outro: a velocidade da perda de peso não parece ser o problema quando existe estrutura, orientação profissional, suporte contínuo e estratégia de manutenção.

Estratégia não serve para todos

Os autores também afirmam que a perda rápida de peso não deve ser indicada de forma generalizada.

A abordagem não costuma ser recomendada para gestantes, lactantes, pessoas com doenças crônicas graves, pacientes com câncer, idosos frágeis, pessoas com transtornos alimentares ou com alto risco de desenvolvê-los. Além disso, indivíduos que não conseguem aderir a um acompanhamento estruturado também podem não se beneficiar desse tipo de intervenção.

A pesquisa ainda apresenta uma limitação relevante. Cerca de 90% dos participantes eram mulheres. Portanto, os resultados não permitem generalizar os achados com a mesma segurança para homens.

Resultados podem influenciar tratamentos contra obesidade

Os achados podem contribuir para novas discussões sobre o tratamento da obesidade, especialmente em um cenário de alta demanda por cuidado, dificuldade de acesso a medicamentos e limitação na oferta de cirurgia bariátrica.

Nesse contexto, programas estruturados de emagrecimento podem representar uma alternativa para parte dos pacientes. No entanto, eles precisam incluir avaliação clínica, acompanhamento profissional, orientação nutricional e estratégias de manutenção a longo prazo.

O estudo sugere que a perda rápida de peso pode ser eficaz e sustentável quando recebe suporte adequado. Portanto, o resultado não depende apenas da velocidade do emagrecimento, mas principalmente da qualidade do programa, da supervisão e da continuidade do cuidado.

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