Saúde

Estudo Associa Café a Menor Risco de Infarto, AVC e Insuficiência Cardíaca

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O tradicional cafezinho pode trazer uma boa notícia para quem já faz da bebida parte da rotina. Uma nova análise científica associou o consumo moderado de café a um menor risco de infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e insuficiência cardíaca.

A American Heart Association (AHA) publicou a declaração científica nesta segunda-feira (20), na revista Circulation. Para elaborar o documento, os pesquisadores revisaram os estudos mais recentes sobre os efeitos do café e da cafeína na saúde cardiovascular.

Segundo a entidade, a maioria dos adultos pode consumir até 400 miligramas de cafeína por dia com segurança. Essa quantidade corresponde, em média, a três a cinco xícaras de café de aproximadamente 230 mililitros.

Além disso, a revisão encontrou associação entre o consumo moderado de café e um menor risco de doença coronariana, AVC, insuficiência cardíaca, diabetes tipo 2 e algumas alterações do ritmo cardíaco.

O café realmente protege o coração?

Apesar dos resultados animadores, os pesquisadores fazem um alerta importante. Eles afirmam que os estudos ainda não comprovam que o café previna doenças cardiovasculares.

Isso acontece porque grande parte das pesquisas analisadas é observacional. Em outras palavras, os cientistas identificam uma associação entre dois fatores. Entretanto, esse tipo de estudo não consegue demonstrar que um fator cause diretamente o outro.

Além disso, quem consome café regularmente pode manter outros hábitos saudáveis. Por exemplo, muitas dessas pessoas praticam atividade física, seguem uma alimentação equilibrada e fazem acompanhamento médico. Todos esses fatores também ajudam a proteger o coração.

Qual quantidade apresentou os melhores resultados?

Segundo a análise, o consumo de duas a quatro xícaras de café com cafeína por dia apresentou os resultados mais favoráveis.

Nesse grupo, os pesquisadores observaram menor risco de doença cardíaca, insuficiência cardíaca e AVC.

Por outro lado, o consumo superior a quatro xícaras por dia não demonstrou benefícios adicionais. Em alguns estudos, os autores identificaram uma associação entre o consumo elevado e um risco maior de insuficiência cardíaca.

Ainda assim, a quantidade ideal varia de pessoa para pessoa. Isso ocorre porque fatores como genética, metabolismo, método de preparo e concentração de cafeína influenciam a resposta do organismo.

O que explica os possíveis benefícios?

Os pesquisadores acreditam que os benefícios não dependem apenas da cafeína.

O café também contém polifenóis e outros compostos bioativos. Essas substâncias apresentam propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias.

Dessa forma, elas podem ajudar a reduzir processos inflamatórios e o estresse oxidativo. Ambos participam do desenvolvimento de diversas doenças cardiovasculares.

Mesmo assim, os autores destacam que ainda precisam entender melhor quais componentes exercem maior influência sobre esses efeitos. Além disso, novos estudos deverão explicar por que algumas pessoas respondem de forma diferente ao consumo da bebida.

Açúcar e acompanhamentos merecem atenção

Os possíveis benefícios aparecem principalmente entre pessoas que consomem café preto ou utilizam pouca quantidade de açúcar.

Por outro lado, bebidas preparadas com xaropes, chantili, cremes e grandes quantidades de açúcar apresentam muito mais calorias e gorduras. Consequentemente, esses ingredientes podem reduzir as vantagens de uma alimentação saudável.

Por isso, a American Heart Association recomenda moderação também nos acompanhamentos do café.

Energéticos não entram na recomendação

A entidade também faz uma distinção importante. Os resultados encontrados para o café não valem para bebidas energéticas ou suplementos concentrados de cafeína.

Esses produtos costumam conter doses muito maiores da substância. Como consequência, podem aumentar a pressão arterial e favorecer palpitações ou alterações do ritmo cardíaco.

Nem todo organismo reage da mesma forma

Cada pessoa metaboliza a cafeína de maneira diferente.

Genética, idade, medicamentos e frequência de consumo influenciam essa resposta. Por isso, algumas pessoas podem apresentar ansiedade, tremores, palpitações, desconforto no estômago ou dificuldade para dormir, mesmo após consumir pequenas quantidades.

Além disso, pessoas com hipertensão grave devem ter atenção redobrada. Um estudo anterior da American Heart Association encontrou maior risco de morte por doença cardiovascular entre indivíduos com pressão arterial igual ou superior a 160/100 mmHg que consumiam duas ou mais xícaras de café por dia.

Vale a pena começar a tomar café?

Segundo os especialistas, a resposta é não.

A American Heart Association não recomenda que pessoas que não têm o hábito de consumir café passem a beber a bebida apenas para reduzir o risco de doenças cardiovasculares.

Em vez disso, a entidade reforça a importância de hábitos já comprovados pela ciência. Entre eles estão praticar atividade física, manter uma alimentação equilibrada, controlar a pressão arterial, o colesterol e a glicemia, além de evitar o cigarro.

Assim, para quem já aprecia um bom café e não possui contraindicações médicas, o consumo moderado pode integrar um estilo de vida saudável. Além disso, as evidências atuais associam esse hábito a um menor risco de diversas doenças cardiovasculares, embora novas pesquisas ainda sejam necessárias para confirmar essa relação.

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