Brasília ganha UTI inteligente conectada a central nacional do SUS
Brasília passou a fazer parte de uma nova rede de UTIs inteligentes do Sistema Único de Saúde (SUS). Dez leitos do Hospital Universitário de Brasília (HUB) estão conectados a uma central nacional capaz de acompanhar, 24 horas por dia, informações de pacientes internados em unidades de terapia intensiva.
A Central de Comando foi apresentada pelo Ministério da Saúde nesta quinta-feira (3). Instalada no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP), ela recebe dados de UTIs localizadas inicialmente em seis capitais brasileiras.
Pressão arterial, frequência cardíaca e níveis de oxigênio estão entre as informações transmitidas em tempo real. A proposta é usar a tecnologia como uma camada adicional de acompanhamento para identificar alterações e ajudar as equipes médicas a agir mais rapidamente diante de uma possível piora do paciente.
Como funciona uma UTI inteligente?
Uma UTI tradicional já utiliza diferentes equipamentos para monitorar continuamente pacientes em estado grave.
A diferença do projeto está na integração dessas informações.
Dados de monitores cardíacos, ventiladores mecânicos, bombas de infusão e outros equipamentos podem ser reunidos em uma mesma plataforma. Dessa forma, profissionais conseguem analisar diferentes sinais do paciente em conjunto.
A central nacional também acompanha os dados à distância. Quando identifica uma alteração que merece atenção, a equipe pode verificar outras informações e entrar em contato com os profissionais responsáveis pelo paciente.
Isso pode ocorrer por telefone ou videoconferência.
A decisão sobre o tratamento, entretanto, continua sendo da equipe médica que acompanha o paciente no hospital.
Ou seja, a tecnologia não substitui médicos, enfermeiros ou outros profissionais. Ela funciona como uma ferramenta adicional para apoiar o cuidado.
Brasília tem 10 leitos conectados
Nesta primeira etapa, o SUS possui 60 leitos inteligentes ativos, distribuídos entre hospitais de seis cidades:
- Brasília;
- Manaus;
- Recife;
- Belo Horizonte;
- Rio de Janeiro;
- Porto Alegre.
No Distrito Federal, os 10 leitos estão instalados no Hospital Universitário de Brasília (HUB).
A unidade brasiliense passa, assim, a compartilhar a estrutura de monitoramento com hospitais de diferentes regiões do país.
Tecnologia pode identificar uma piora antes?
Esse é justamente um dos principais objetivos do projeto.
Um paciente internado em UTI produz continuamente uma grande quantidade de informações. Uma alteração isolada nem sempre representa uma emergência. Porém, mudanças simultâneas em diferentes indicadores podem mostrar que o quadro está evoluindo.
Na pressão arterial, por exemplo, alterações na curva podem aparecer antes de um quadro de choque circulatório. Já mudanças nos parâmetros da ventilação mecânica podem indicar risco de problemas pulmonares.
Ao reunir essas informações, o sistema pode ajudar os profissionais a reconhecer padrões que merecem investigação.
Além disso, os dados produzidos pelas UTIs deverão ser utilizados para desenvolver ferramentas capazes de antecipar complicações.
E onde entra a inteligência artificial?
A inteligência artificial é uma das tecnologias previstas na Rede Nacional de Hospitais e Serviços Inteligentes e Medicina de Alta Precisão, da qual as UTIs fazem parte.
O projeto prevê conectividade, integração entre sistemas, monitoramento contínuo e uso de IA para apoiar a identificação de riscos e a tomada de decisões.
No entanto, é importante não imaginar uma inteligência artificial decidindo sozinha qual tratamento o paciente deve receber.
A proposta é utilizar os dados coletados para reconhecer padrões associados à deterioração clínica e gerar alertas que auxiliem os profissionais.
Portanto, a tecnologia funciona como apoio à decisão clínica, e não como substituta da avaliação médica.
Sistema funciona 24 horas
A Central de Comando instalada em São Paulo funciona 24 horas por dia.
Seis grandes telas estão conectadas às UTIs participantes e permitem o acompanhamento remoto dos pacientes.
Além de acompanhar os indicadores previamente definidos, os profissionais da central podem discutir determinados casos com as equipes locais.
A integração também permite reunir informações provenientes de equipamentos de diferentes fabricantes em uma única plataforma.
O que pode mudar para o paciente?
Para quem está internado, a principal expectativa é conseguir identificar sinais de agravamento mais cedo.
Em uma UTI, pequenas mudanças podem ser importantes. Quanto mais rapidamente a equipe identifica uma complicação, mais cedo pode avaliar se alguma intervenção é necessária.
O Ministério da Saúde espera que o modelo contribua para reduzir complicações e o tempo de internação. Com internações potencialmente mais curtas, também poderia haver maior disponibilidade de leitos.
Esses resultados, porém, são objetivos do programa. Ainda será necessário avaliar os dados produzidos pela rede para medir o impacto da tecnologia na prática.
Projeto deve chegar a 280 leitos
Os 60 leitos atuais representam apenas a primeira fase.
A previsão do Ministério da Saúde é chegar a 280 leitos inteligentes em 14 instituições de saúde.
A estrutura tecnológica também deverá evoluir. Além dos monitores multiparâmetros e das centrais de acompanhamento, uma próxima etapa prevê incorporar respiradores pulmonares e camas inteligentes.
O projeto faz parte de uma estratégia maior de transformação digital dos hospitais públicos.
SAMU também terá integração inteligente
A mesma rede inclui o chamado SAMU Inteligente.
Nesse caso, a proposta é integrar ambulâncias, centrais de regulação e hospitais. Assim, informações sobre o paciente podem chegar à unidade de emergência antes mesmo da ambulância.
O serviço já está presente em bases de Porto Alegre, Belo Horizonte e Recife.
A ideia é permitir que o hospital se prepare para receber determinados pacientes enquanto eles ainda estão sendo transportados.
Tecnologia deve ampliar presença no SUS
As UTIs inteligentes são a primeira etapa da Rede Nacional de Hospitais e Serviços Inteligentes e Medicina de Alta Precisão.
Além da expansão dos leitos conectados, o programa prevê a modernização de hospitais e a construção do Instituto Tecnológico de Emergência do Hospital das Clínicas da USP.
Em Brasília, a participação começa pelo Hospital Universitário de Brasília.
Com dez leitos conectados à central nacional, o HUB passa a integrar uma experiência que busca combinar monitoramento contínuo, integração de dados e inteligência artificial para antecipar riscos e apoiar as equipes no atendimento de pacientes em estado grave.
