DF oferece teste molecular de HPV para prevenir câncer do colo do útero
A rede pública de saúde do Distrito Federal já oferece o teste molecular de DNA-HPV como parte da nova estratégia de rastreamento do câncer do colo do útero. A tecnologia começou a ser implantada de forma progressiva em março de 2026 e, atualmente, está disponível nas 59 Unidades Básicas de Saúde (UBSs) das regiões Oeste e Sudoeste do DF. Até setembro, mais de 9,2 mil exames haviam sido realizados, principalmente em mulheres entre 25 e 64 anos.
O teste é capaz de identificar 14 tipos de HPV associados a maior risco de desenvolvimento de câncer, incluindo os genótipos HPV-16 e HPV-18. A principal diferença em relação ao tradicional Papanicolau é que o teste molecular procura diretamente o material genético do vírus antes mesmo que ele provoque alterações visíveis nas células do colo do útero.
Quem pode fazer o teste DNA-HPV?
As novas diretrizes brasileiras recomendam o teste molecular como exame primário de rastreamento para mulheres e outras pessoas com colo do útero entre 25 e 64 anos que já tiveram atividade sexual. Isso também pode incluir homens trans e pessoas não binárias designadas como do sexo feminino ao nascer.
No Distrito Federal, a implantação ainda ocorre por etapas. Neste momento, a oferta está concentrada nas regiões de saúde Oeste e Sudoeste, onde todas as 59 UBSs já dispõem do exame. A expectativa nacional do Ministério da Saúde é que o teste molecular esteja disponível em toda a rede pública do país até o fim de 2026.
Qual é a diferença entre o DNA-HPV e o Papanicolau?
O Papanicolau analisa as células do colo do útero em busca de alterações que possam indicar lesões precursoras ou câncer. Já o teste DNA-HPV identifica a presença de tipos do vírus HPV considerados oncogênicos, ou seja, capazes de aumentar o risco de desenvolvimento da doença.
Na prática, isso permite detectar o principal fator de risco para o câncer do colo do útero antes que surjam alterações celulares importantes. O teste molecular também apresenta maior sensibilidade para identificar pessoas que precisam de investigação adicional, razão pela qual passou a ser adotado como exame primário no novo modelo de rastreamento brasileiro.
A coleta, no entanto, é semelhante à realizada no Papanicolau. O profissional obtém material do colo do útero, mas o que muda é a análise feita no laboratório. No DF, o Lacen utiliza método de PCR em tempo real para detectar HPV-16, HPV-18 e outros 12 genótipos de alto risco.
Papanicolau vai deixar de existir?
Não imediatamente.
Com o novo modelo, o teste DNA-HPV passa a ser o principal exame de rastreamento nos locais onde já está disponível. O Papanicolau continua sendo uma ferramenta segura e eficaz e permanece em uso nas regiões que ainda não implantaram a nova tecnologia.
Nos locais que já adotaram o DNA-HPV, a citologia tende a ser utilizada principalmente como exame complementar quando o teste molecular apresenta resultado positivo, de acordo com o protocolo definido para cada situação. O objetivo é identificar quais pessoas precisam de investigação adicional e evitar procedimentos desnecessários em quem apresenta baixo risco.
Se o resultado for negativo, quando o exame precisa ser repetido?
Uma das principais mudanças trazidas pelo teste molecular é o aumento do intervalo entre os exames.
Segundo as novas diretrizes do Ministério da Saúde, quando o resultado do teste DNA-HPV é negativo, o rastreamento pode ser repetido a cada cinco anos. O intervalo é maior porque o teste apresenta maior sensibilidade do que a citologia convencional para detectar infecções por tipos de HPV de alto risco.
Isso não significa, porém, que toda pessoa deva esperar cinco anos independentemente de seu histórico. Quem apresenta alterações anteriores, sintomas, imunossupressão ou outras condições específicas pode precisar de acompanhamento diferente, conforme avaliação da equipe de saúde.
O que acontece quando o teste dá positivo?
Um resultado positivo para HPV de alto risco não significa que a pessoa tenha câncer.
A infecção pelo HPV é muito comum e, na maioria dos casos, o próprio sistema imunológico consegue eliminar o vírus. O problema surge quando determinados tipos oncogênicos permanecem no organismo por muito tempo e provocam alterações nas células do colo do útero.
Quando o DNA-HPV é detectado, a conduta depende do tipo viral encontrado e de outros fatores clínicos. A pessoa pode precisar de citologia, repetição do teste ou encaminhamento para exames adicionais, como a colposcopia. O objetivo é identificar precocemente lesões que possam evoluir para câncer e tratá-las antes que isso aconteça.
HPV é a principal causa do câncer do colo do útero
A infecção persistente por tipos oncogênicos do HPV está diretamente relacionada à maioria dos casos de câncer do colo do útero. O vírus é transmitido principalmente por contato sexual e pode infectar pele e mucosas da região genital, mesmo quando não existem sintomas visíveis.
O uso de preservativo reduz o risco de transmissão, mas não elimina completamente a possibilidade de infecção, porque o vírus também pode estar presente em áreas da pele que não ficam cobertas durante a relação sexual. Por isso, a prevenção combina vacinação, sexo seguro e rastreamento periódico.
Vacina continua sendo a principal forma de prevenção
Mesmo com a chegada do teste molecular, a vacinação continua sendo uma das principais estratégias para prevenir a infecção pelos tipos de HPV mais associados ao câncer.
No calendário regular do SUS, a vacina é destinada a meninos e meninas de 9 a 14 anos, além de outros grupos definidos pelo Ministério da Saúde. Em 2026, a estratégia de resgate para adolescentes e jovens de 15 a 19 anos que nunca receberam a vacina foi prorrogada até 31 de dezembro.
No DF, a vacinação está disponível em mais de 100 salas da rede pública. Segundo dados divulgados pela Secretaria de Saúde, a cobertura estava em 85% entre meninas e 70,8% entre meninos, enquanto a meta é alcançar pelo menos 90%.
A vacina não substitui o rastreamento. Mesmo pessoas vacinadas devem realizar os exames preventivos quando estiverem na faixa etária indicada.
Por que o teste molecular é considerado um avanço?
A principal vantagem é conseguir identificar o risco antes do aparecimento das lesões celulares.
Como o câncer do colo do útero costuma se desenvolver lentamente ao longo de anos, encontrar uma infecção persistente por HPV oncogênico permite intensificar o acompanhamento das pessoas com maior probabilidade de apresentar alterações no futuro.
Ao mesmo tempo, quem apresenta resultado negativo pode ficar mais tempo sem repetir o exame, reduzindo procedimentos desnecessários. Por isso, as novas diretrizes brasileiras estabeleceram o DNA-HPV como método preferencial para o rastreamento organizado da doença.
Câncer do colo do útero pode ser prevenido
O câncer do colo do útero é uma das doenças oncológicas com maior potencial de prevenção. Isso acontece porque existe uma causa principal conhecida — a infecção persistente pelo HPV — e porque alterações precursoras podem ser identificadas e tratadas antes que evoluam para um tumor invasivo.
A combinação entre vacinação contra HPV e rastreamento adequado é considerada fundamental para reduzir a incidência e a mortalidade pela doença. O novo teste molecular busca justamente melhorar essa identificação precoce e organizar melhor o acompanhamento das pessoas com maior risco.
Como fazer o teste no DF?
Quem estiver na faixa etária indicada e morar nas regiões atendidas deve procurar uma Unidade Básica de Saúde para receber orientação sobre o rastreamento. Atualmente, o teste está disponível nas 59 UBSs das regiões Oeste e Sudoeste do Distrito Federal.
Não é necessário esperar o aparecimento de sintomas. O rastreamento é destinado justamente a pessoas que não apresentam sinais da doença, com o objetivo de encontrar alterações antes que o câncer se desenvolva ou ainda em fases muito iniciais.
Quem mora em outra região do DF deve procurar a UBS de referência para saber qual método de rastreamento está disponível naquele momento, já que a implantação do DNA-HPV ainda está ocorrendo progressivamente.
Sintomas precisam de avaliação mesmo fora da idade de rastreamento
O rastreamento é voltado para pessoas sem sintomas. Quando existem sinais como sangramento vaginal fora do período menstrual, sangramento após a relação sexual, corrimento persistente ou dor pélvica, a recomendação é procurar atendimento de saúde independentemente da idade ou da data do último exame preventivo.
Nessas situações, o objetivo deixa de ser apenas rastreamento e passa a ser investigação diagnóstica. Por isso, não é adequado esperar a próxima data programada do exame quando surgem sintomas persistentes.
DF já realizou mais de 9 mil testes
Desde o início da implantação, em março, mais de 9,2 mil testes DNA-HPV haviam sido realizados na rede pública do Distrito Federal até setembro. A maior parte ocorreu entre mulheres de 25 a 64 anos, faixa prioritária definida para o rastreamento.
A expansão faz parte da mudança nacional na prevenção do câncer do colo do útero. O Ministério da Saúde incorporou o teste molecular ao SUS em 2024 e aprovou, em 2025, as novas diretrizes brasileiras que o colocam como exame primário de rastreamento.
Para as pacientes, a mudança significa a possibilidade de detectar mais cedo a presença dos tipos de HPV com maior potencial de causar câncer e, quando o resultado é negativo, aumentar com segurança o intervalo entre os exames.
