Saúde

Skincare Precoce vira Alerta de Saúde entre Crianças e Adolescentes

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Meninas cada vez mais novas estão adotando rotinas de skincare antes mesmo de terem necessidade dermatológica. O fenômeno ganhou força nas redes sociais e recebeu o nome de cosmeticorexia.

O termo descreve uma preocupação excessiva com a aparência da pele. Além disso, envolve o uso intenso, compulsivo ou inadequado de cosméticos, muitas vezes voltados para adultos.

Pesquisadores definem a cosmeticorexia como uma obsessão culturalmente reforçada pela busca da “pele perfeita”. Essa pressão pode levar crianças e adolescentes ao uso exagerado de produtos cosméticos e procedimentos incompatíveis com a idade.

Termo é novo, mas preocupação cresce

A cosmeticorexia também aparece associada ao termo dermorexia. Apesar disso, ela ainda não aparece como diagnóstico próprio nas classificações médicas internacionais.

Na prática, especialistas usam o termo para alertar sobre um comportamento em crescimento. Muitas meninas passam a ver manchas mínimas, poros, oleosidade ou pequenas espinhas como defeitos graves. Com isso, compram produtos, seguem influenciadoras e montam rotinas longas para corrigir problemas que, muitas vezes, nem existem.

Esse movimento se intensificou com vídeos de “arrume-se comigo”, tutoriais de skincare e conteúdos de beleza voltados para adolescentes. Em muitos casos, as meninas reproduzem rotinas de adultas, com séruns, ácidos, vitamina C, retinol e produtos antienvelhecimento.

Pele infantil não precisa de rotina adulta

A Sociedade Brasileira de Pediatria alerta que cosméticos não são isentos de risco. Segundo a entidade, esses produtos podem causar efeitos colaterais, incluindo processos imunoalérgicos, principalmente quando crianças e adolescentes usam itens inadequados para a idade.

A Sociedade Brasileira de Dermatologia também chama atenção para o skincare infantil. A entidade afirma que a exposição a conteúdos inadequados pode levar a práticas prejudiciais, já que a pele das crianças tem características próprias e precisa de cuidados diferentes da pele adulta.

Portanto, a lógica deve ser simples. Crianças e pré-adolescentes não precisam de rotina antienvelhecimento. Na maioria dos casos, os cuidados básicos incluem limpeza suave, hidratação quando necessária e proteção solar adequada.

Produtos adultos podem irritar e sensibilizar a pele

O risco aumenta quando meninas usam ativos fortes sem orientação. Retinol, ácidos esfoliantes, vitamina C em alta concentração e combinações de vários produtos podem irritar a pele.

A Academia Americana de Dermatologia orienta que pré-adolescentes e adolescentes evitem ingredientes como retinol, vitamina C e ácidos esfoliantes quando não houver indicação médica. Segundo a entidade, esses ativos miram rugas, manchas e danos solares, problemas que crianças geralmente não apresentam. Além disso, a pele em desenvolvimento tende a ser mais sensível e mais propensa a irritação.

Com o uso inadequado, podem aparecer vermelhidão, ardor, descamação, acne cosmética, dermatite de contato e piora da barreira cutânea. Assim, uma rotina criada para “melhorar” a pele pode produzir o efeito contrário.

Pressão estética também atinge a saúde emocional

A cosmeticorexia não preocupa apenas pela pele. Ela também revela uma pressão precoce sobre o corpo e a imagem.

Quando uma menina aprende que precisa corrigir poros, linhas, textura ou brilho natural da pele, ela pode passar a olhar o próprio rosto como um conjunto de defeitos. Isso favorece comparação constante, insegurança e consumo repetido.

O problema fica mais grave quando a criança ou adolescente evita sair sem produtos, sente vergonha da própria pele, gasta tempo excessivo com skincare ou fica angustiada diante de qualquer imperfeição.

Nesses casos, a questão deixa de ser apenas estética. Ela passa a envolver autoestima, ansiedade, relação com o espelho e dependência da validação social.

Influenciadoras e marketing ampliam o problema

Grande parte desse comportamento vem da exposição digital. Meninas assistem a vídeos de influenciadoras, copiam rotinas complexas e desejam produtos caros, muitas vezes vendidos como símbolos de status.

Além disso, embalagens coloridas, linguagem jovem e promessas de “pele perfeita” tornam os produtos mais atraentes para crianças. O mercado percebeu esse público e passou a disputar sua atenção.

Por isso, especialistas defendem maior atenção dos pais, das escolas, dos profissionais de saúde e das plataformas digitais. O problema não está em uma menina gostar de se cuidar. O risco aparece quando o cuidado vira exigência, comparação e consumo compulsivo.

Pais devem observar sinais de alerta

Famílias precisam diferenciar curiosidade de sofrimento. Brincar com maquiagem ou se interessar por cuidados simples pode fazer parte da infância e da adolescência. No entanto, alguns sinais pedem atenção.

Entre eles estão irritação frequente na pele, uso de muitos produtos ao mesmo tempo, medo de sair sem skincare, choro ao se olhar no espelho, comparação intensa com influenciadoras, gasto excessivo e recusa em interromper produtos que causam dano.

Nessas situações, o ideal é procurar orientação de dermatologista e, quando houver sofrimento emocional importante, avaliação psicológica.

Rotina segura deve ser simples

Para crianças e pré-adolescentes, a rotina deve ser mínima. Em geral, limpeza suave, protetor solar e hidratação quando indicada já bastam.

Produtos com ácidos, retinoides, clareadores, esfoliantes e ativos antienvelhecimento não devem entrar na rotina sem orientação profissional. Além disso, os pais devem verificar se o produto tem regularização adequada e se foi formulado para a faixa etária.

A Sociedade Brasileira de Pediatria orienta que famílias observem se produtos infantis são liberados pela Anvisa, já que itens para crianças seguem regras mais rigorosas de segurança.

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