Estudo: Excesso de Redes Sociais Pesa no Bem-Estar
Passar muitas horas por dia nas redes sociais pode estar relacionado a uma piora no bem-estar de adolescentes. Esse é um dos alertas do Relatório Mundial da Felicidade de 2026, que, neste ano, dedicou parte da análise ao impacto das plataformas digitais sobre a vida dos jovens.
Segundo o levantamento, essa relação não ocorre da mesma forma em todos os casos. O efeito varia conforme a plataforma utilizada, conforme a maneira de uso e também de acordo com características como gênero e condição socioeconômica. Para chegar a esse resultado, a pesquisa ouviu adolescentes de 15 anos em 50 países.
Além disso, os dados indicam que o uso moderado tende a apresentar resultados mais positivos. Jovens que passam até uma hora por dia nas redes sociais relatam níveis mais altos de satisfação com a vida. Em muitos casos, inclusive, esse grupo aparece em situação melhor do que aqueles que não usam essas plataformas. Ainda assim, o tempo médio de uso entre adolescentes gira em torno de 2,5 horas por dia.
O relatório foi produzido em parceria com a Gallup Data Poll, a Rede de Soluções para o Desenvolvimento Sustentável da ONU e um conselho editorial independente.
Impacto aparece com mais força entre meninas
Entre as adolescentes, os efeitos negativos aparecem de forma mais acentuada. Em diversos países, meninas que usam redes sociais por períodos mais curtos demonstram maior satisfação com a vida do que aquelas que passam muitas horas conectadas.
À medida que o tempo de exposição aumenta, a percepção de bem-estar tende a cair. Nesse sentido, o relatório reforça sinais já observados em pesquisas anteriores. Esses estudos apontam que plataformas mais centradas em imagens podem estar associadas à piora da autoestima, ao aumento da ansiedade, a sintomas depressivos e, além disso, à insatisfação com o próprio corpo.
Tipo de plataforma também interfere
Outro ponto importante é que nem toda rede social afeta os jovens da mesma maneira. Plataformas guiadas por algoritmos e por seleção automática de conteúdo costumam apresentar associação mais negativa com o bem-estar.
Nesse cenário, pesam fatores como excesso de imagens, comparação constante e presença marcante de influenciadores digitais. Em contrapartida, redes criadas para facilitar conexões sociais e fortalecer vínculos aparecem com relação mais positiva à felicidade. Ou seja, o impacto não depende apenas do tempo de uso, mas também do tipo de experiência oferecida por cada plataforma.
Debate sobre restrições cresce em vários países
Diante desse cenário, vários países vêm ampliando o debate sobre limites de acesso às redes sociais por menores de idade. Na Austrália, por exemplo, a idade mínima para uso de dez plataformas foi elevada de 13 para 16 anos em dezembro.
Enquanto isso, a Espanha discute uma proposta para proibir o acesso de menores de 16 anos, com exigência de sistemas de verificação etária. Já na França, por sua vez, parlamentares deram neste ano os primeiros passos para restringir o uso por adolescentes de até 15 anos.
No Brasil, entrou em vigor nesta semana o Estatuto Digital da Criança e do Adolescente, conhecido como ECA Digital. Dessa forma, o país também passa a contar com uma legislação voltada especificamente à proteção de crianças e adolescentes nos ambientes virtuais.
América Latina registra cenário mais favorável
Mesmo com uso intenso das redes sociais, os países da América Latina chamaram atenção por registrar níveis mais altos de bem-estar entre os jovens. O Brasil está entre as nações mencionadas nesse grupo.
Por outro lado, adolescentes e jovens do Reino Unido e da Irlanda apresentaram índices de felicidade abaixo do esperado para o padrão de uso dessas plataformas. De forma geral, os pesquisadores associam o melhor desempenho latino-americano à presença de laços familiares e sociais mais fortes, que podem funcionar como fator de proteção emocional.
Além disso, a Costa Rica foi um dos destaques do ranking e subiu para a 4ª posição entre os 147 países avaliados. Já o Brasil ficou em 32º lugar, à frente de França, Itália, Argentina, Colômbia e Portugal. A Alemanha, por sua vez, apareceu em 17º. Ao todo, cerca de 100 mil pessoas participaram da pesquisa.
Finlândia continua na liderança
Pelo nono ano consecutivo, a Finlândia lidera o ranking dos países mais felizes do mundo. Entre os seis primeiros colocados, cinco são países nórdicos. Além da Finlândia, aparecem Islândia, Dinamarca, Suécia e Noruega.
Segundo o relatório, esse desempenho está ligado a fatores como renda, menor desigualdade, sistemas de proteção social mais estruturados e alta expectativa de vida. Por fim, na outra ponta da lista estão países marcados por guerras ou por cenários muito próximos de conflito, como República Democrática do Congo, Líbano, Iêmen, Serra Leoa e Afeganistão.
