Saúde

Caneta de Semaglutida produzida no Brasil chega às Farmácias

Publicidade
Publicidade

A caneta nacional à base de semaglutida começou a chegar às farmácias brasileiras. Conhecido popularmente como “Ozempic nacional”, o medicamento se chama Ozivy e é produzido pela farmacêutica brasileira EMS.

O preço inicial sugerido é de R$ 452. No entanto, o consumidor pode encontrar valores diferentes conforme a farmácia, a região, a apresentação e os descontos oferecidos. Em algumas redes, o preço chegou a R$ 464,81.

Embora o mercado e as redes sociais usem a expressão “Ozempic nacional”, o Ozivy não é uma nova versão da marca Ozempic. Além disso, ele não é um medicamento genérico. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária classifica o produto como um medicamento novo e como o primeiro análogo sintético de semaglutida autorizado no Brasil.

O que é o Ozivy?

O Ozivy é uma caneta injetável de aplicação semanal que contém semaglutida. Essa substância pertence ao grupo dos agonistas do receptor de GLP-1, medicamentos que ajudam no controle da glicose no sangue.

O GLP-1 é um hormônio produzido pelo organismo após as refeições. Entre outras funções, ele estimula a liberação de insulina quando a glicose está elevada, reduz a liberação de glucagon e retarda o esvaziamento do estômago.

Por isso, a semaglutida também pode reduzir o apetite e aumentar a sensação de saciedade. No entanto, o paciente não deve usar o Ozivy apenas com a finalidade de emagrecer sem avaliação médica.

Ozivy é genérico do Ozempic?

Não. A Anvisa esclarece que o Ozivy não é um genérico do Ozempic. A agência o classificou como medicamento novo, produzido por síntese química.

O Ozempic utiliza semaglutida de origem biológica. Já o Ozivy contém uma versão sintética análoga dessa molécula. Apesar de compartilharem o mesmo princípio ativo, os produtos seguem processos de fabricação e enquadramentos regulatórios diferentes.

A Anvisa analisou os estudos apresentados pela fabricante para comprovar a eficácia, a segurança e a qualidade do novo medicamento antes de conceder o registro.

Para que o Ozivy foi aprovado?

A Anvisa aprovou o Ozivy para o tratamento de adultos com diabetes mellitus tipo 2 que não conseguem controlar adequadamente a doença apenas com dieta, exercícios e outros cuidados.

O médico pode indicar o medicamento sozinho quando o paciente não pode usar metformina por intolerância ou contraindicação. Além disso, pode combiná-lo com outros medicamentos para diabetes.

Por enquanto, a indicação aprovada para o Ozivy se refere ao diabetes tipo 2. Portanto, não se deve confundir essa autorização com a indicação específica de outros medicamentos para o tratamento da obesidade.

Mesmo que a semaglutida possa provocar perda de peso, o paciente deve respeitar a indicação registrada, a avaliação clínica e a prescrição médica.

Venda exige receita retida na farmácia

O Ozivy só pode ser vendido mediante apresentação de receita médica em duas vias. A farmácia deve reter uma delas, conforme a regra aplicada aos medicamentos agonistas de GLP-1.

A receita pode ter validade de até 90 dias. Essa exigência busca reduzir o uso indiscriminado das chamadas canetas emagrecedoras e ampliar o acompanhamento dos possíveis efeitos adversos.

Comprar o produto pela internet sem receita, em redes sociais ou de vendedores sem procedência aumenta o risco de falsificação, armazenamento inadequado e uso de substâncias sem controle sanitário.

Medicamento precisa permanecer refrigerado

A conservação do Ozivy exige atenção. Segundo a Anvisa, o paciente deve manter o medicamento sob refrigeração, em temperatura entre 2 °C e 8 °C, antes e depois de iniciar o tratamento.

Nesse ponto, o Ozivy apresenta uma diferença importante em relação ao Ozempic. Após o início do uso, o Ozempic pode permanecer em temperatura de até 30 °C por um período limitado. Já o Ozivy precisa continuar na geladeira.

Por isso, o paciente deve seguir as orientações da bula e do farmacêutico. Não se deve congelar a caneta nem colocá-la em contato direto com placas de gelo.

Uso sem orientação pode trazer riscos

Embora muitas pessoas procurem semaglutida para emagrecer, esses medicamentos não funcionam como produtos estéticos comuns. Eles alteram processos metabólicos e gastrointestinais e podem provocar efeitos adversos.

Náuseas, vômitos, diarreia, constipação e dor abdominal estão entre as reações relatadas com medicamentos dessa classe. Além disso, a Anvisa já alertou sobre o risco de pancreatite aguda associado ao uso inadequado das canetas.

Dor abdominal intensa e persistente, especialmente quando se irradia para as costas e aparece acompanhada de náuseas ou vômitos, exige atendimento médico imediato.

O profissional também precisa avaliar o histórico clínico, os medicamentos em uso, as contraindicações e o risco individual antes de iniciar o tratamento.

Versão nacional pode ampliar a concorrência

A chegada de uma semaglutida produzida no Brasil aumenta a concorrência em um mercado que cresceu rapidamente nos últimos anos. A EMS informou que fabrica o Ozivy em Hortolândia, no interior de São Paulo, por meio de uma plataforma própria de produção de peptídeos.

A empresa anunciou uma oferta inicial de aproximadamente 500 mil canetas. Ainda assim, a disponibilidade pode variar entre cidades e redes de farmácia durante os primeiros meses.

A entrada de novos fabricantes pode ampliar a oferta e pressionar os preços. No entanto, o valor ainda representa um custo elevado para muitos pacientes, principalmente porque o tratamento costuma ser contínuo.

Novo produto não elimina a necessidade de acompanhamento

A chegada do Ozivy amplia as opções para o tratamento do diabetes tipo 2, mas não transforma a semaglutida em um medicamento de uso livre.

O acompanhamento médico continua necessário para definir a dose, avaliar os resultados, acompanhar os efeitos adversos e decidir se o tratamento deve continuar.

Além disso, o medicamento não substitui alimentação adequada, atividade física e acompanhamento regular da glicemia. Esses cuidados continuam fazendo parte do controle do diabetes.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *