Exercício Físico pode Exigir mais Tempo para Proteger o Coração
A prática regular de atividade física ajuda a prevenir doenças crônicas e melhora a saúde geral. No entanto, uma nova pesquisa publicada no British Journal of Sports Medicine indica que a meta mínima de 150 minutos por semana pode ser baixa para reduzir, de forma mais expressiva, o risco de doenças cardiovasculares.
O estudo aponta que a proteção contra infartos e derrames aumenta quando a pessoa pratica entre 560 e 610 minutos semanais de exercício moderado a vigoroso. Esse volume supera bastante a recomendação atual da Organização Mundial da Saúde.
O que a OMS recomenda hoje
A OMS orienta adultos a praticarem até 300 minutos de atividade física moderada por semana. Outra opção é fazer 150 minutos de exercício intenso no mesmo período.
Mesmo assim, os 150 minutos semanais continuam importantes. Quem atinge essa meta já reduz o risco cardiovascular. Porém, os novos dados mostram que um tempo maior de exercício pode ampliar esse benefício.
Como o estudo foi feito
Os pesquisadores analisaram dados de mais de 17 mil pessoas do UK Biobank, no Reino Unido. Entre 2013 e 2015, os participantes usaram um dispositivo no pulso por sete dias seguidos. O aparelho registrou os níveis habituais de movimento.
Depois disso, a equipe acompanhou os voluntários por sete a oito anos. Na análise, os pesquisadores também avaliaram fatores como tabagismo, consumo de álcool, dieta, saúde geral, índice de massa corporal, frequência cardíaca em repouso e pressão arterial.
Poucas pessoas atingem o nível ideal
Embora o estudo indique maior proteção com mais de 560 minutos semanais de exercício, poucos participantes chegaram a esse patamar. Apenas cerca de 12% alcançaram esse volume de atividade física.
A pesquisa também mostrou diferenças entre pessoas mais ativas e mais sedentárias. Indivíduos com menor condicionamento físico precisaram de 30 a 50 minutos extras por semana para obter benefícios semelhantes aos de pessoas com melhor preparo.
Quanto mais movimento, melhor
Os resultados não anulam a recomendação mínima de 150 minutos por semana. Pelo contrário, essa meta segue como uma referência importante para a população.
A principal mensagem é que aumentar o tempo de atividade física pode trazer ganhos adicionais para o coração. Portanto, quem já pratica exercícios pode buscar uma evolução gradual, sem abandonar a regularidade.
Limitações da pesquisa
O estudo tem limitações. Como a pesquisa é observacional, ela mostra uma associação entre exercício e menor risco cardiovascular. Ela não prova, sozinha, uma relação direta de causa e efeito.
Além disso, os pesquisadores estimaram a capacidade cardiorrespiratória dos participantes. Eles também não mediram com detalhes o tempo sedentário nem as atividades de baixa intensidade.
Ainda assim, os dados reforçam a importância do exercício físico na prevenção cardiovascular. Eles também podem ajudar futuras diretrizes de saúde a discutir metas mais ambiciosas para a população.
