Wegovy Oral é Aprovado nos EUA e deve chegar ao Mercado em Janeiro
A agência reguladora dos Estados Unidos (FDA) aprovou, na segunda-feira (22), uma versão em comprimido de uso diário do Wegovy, medicamento da Novo Nordisk indicado para o tratamento da obesidade. A decisão abre caminho para que pacientes tenham, além das canetas de aplicação semanal, uma alternativa por via oral dentro da mesma classe de remédios que vem mudando o padrão de cuidado do excesso de peso.
O Wegovy em comprimidos usa a semaglutida, o mesmo princípio ativo do Wegovy injetável e do Ozempic, voltado ao diabetes. A expectativa da empresa é iniciar a disponibilidade nos EUA já em janeiro, mediante prescrição médica, e o objetivo declarado é ampliar o acesso para pessoas que evitam injeções ou têm dificuldade de aderir ao uso com caneta.
Em ensaios clínicos citados nas reportagens e comunicados, a formulação oral apresentou perda de peso considerada clinicamente relevante, com resultados na casa de 14% em 64 semanas em uma comparação com placebo. Em publicações internacionais sobre a aprovação, também aparece o dado de 16,6% de redução média de peso corporal em 64 semanas em estudos com a dose de 25 mg, reforçando que o desempenho pode variar conforme desenho do estudo e população analisada.
Na prática, o comprimido chega em um mercado que deve ficar mais competitivo em 2026. A Eli Lilly tem um candidato oral (orforglipron) em avaliação e a discussão, desde já, gira em torno de três pontos: eficácia, tolerabilidade e preço. Além disso, existe uma diferença importante de conveniência no modo de tomar: o Wegovy em comprimido exige jejum, pouca água e espera de 30 minutos antes de comer, beber ou usar outros medicamentos por via oral — um detalhe que pode pesar na adesão.
Sobre custos, a Novo Nordisk informou que a dose inicial deve sair por US$ 149 para quem paga do próprio bolso, dentro de um acordo divulgado nos EUA, com tendência de aumento nas etapas seguintes conforme a escalada de dose. O esquema prevê apresentações de 1,5 mg, 4 mg, 9 mg e 25 mg (dose de manutenção).
Como ocorre com outros medicamentos que atuam na via do GLP-1, os efeitos adversos mais comuns seguem sendo gastrointestinais, como náuseas e vômitos, e uma parcela dos participantes interrompeu o tratamento por intolerância nos estudos. Especialistas têm destacado que, apesar de o foco público estar no emagrecimento, a classe tem acumulado evidências de benefícios adicionais em subgrupos, especialmente na redução de risco cardiovascular em pacientes com doença estabelecida, o que amplia o interesse clínico nessas opções.
