Vacina contra mpox chega ao DF; veja quem poderá receber
O Distrito Federal recebeu neste sábado, 7 de novembro, 100 doses da vacina contra a mpox enviadas pelo Ministério da Saúde. A vacinação será realizada de forma direcionada, começando por pessoas com maior risco de desenvolver formas graves da doença e por indivíduos que tiveram determinadas exposições consideradas de médio ou alto risco.
Nesta primeira etapa, a estratégia de vacinação pré-exposição será voltada para pessoas vivendo com HIV/aids, com 18 anos ou mais, pertencentes aos grupos de homens cisgêneros, travestis e mulheres transexuais e com contagem de linfócitos T CD4 inferior a 100 células/mm³. A SES-DF identificou aproximadamente 150 pessoas que atendem aos critérios clínicos iniciais, mas parte delas já havia recebido a vacina anteriormente.
Quem poderá receber a vacina primeiro?
Segundo a Secretaria de Saúde, a primeira fase prioriza pessoas vivendo com HIV/aids com imunossupressão mais acentuada, medida pela contagem de células CD4.
Os critérios iniciais são:
- ter 18 anos ou mais;
- viver com HIV/aids;
- integrar os grupos de homens cisgêneros, travestis ou mulheres transexuais;
- apresentar contagem de CD4 inferior a 100 células/mm³.
O Ministério da Saúde considera esse grupo prioritário porque a imunossupressão importante está relacionada a maior risco de evolução para formas graves da mpox.
A vacinação será organizada principalmente por busca ativa, ou seja, a própria rede de saúde entrará em contato com os pacientes identificados como elegíveis para informar local e horário da aplicação.
Público será ampliado gradualmente
A SES-DF informou que a vacinação poderá ser expandida conforme a disponibilidade das doses e o prazo de utilização do imunizante depois do descongelamento.
Após cerca de 10 dias, a previsão é ampliar a vacinação para:
- pessoas vivendo com HIV/aids com CD4 inferior a 200 células/mm³;
- usuários de PrEP com 18 anos ou mais;
- profissionais de laboratório que manipulam amostras de mpox, entre 18 e 49 anos.
Depois de aproximadamente 20 dias, a estratégia poderá alcançar pessoas vivendo com HIV/aids com 18 anos ou mais, independentemente da contagem de CD4.
Essa expansão dependerá da quantidade de doses ainda disponível e do planejamento da Secretaria de Saúde.
Vacinação será feita no Hospital Universitário de Brasília
A aplicação será concentrada inicialmente na Sala de Vacinação do Hospital Universitário de Brasília (HUB).
A própria unidade fará o contato e agendamento dos pacientes identificados pela Secretaria de Saúde. Pessoas que atendem aos critérios e ainda não foram contatadas também poderão procurar informações diretamente com o HUB.
O atendimento funciona em dias úteis:
Hospital Universitário de Brasília — HUB
SGAN 605
Das 8h às 12h e das 13h às 17h
Telefone: (61) 2028-5376
A Secretaria informou que a convocação será feita preservando a confidencialidade das informações pessoais e de saúde dos usuários.
Quantas doses são necessárias?
O esquema utilizado prevê duas doses, com intervalo de 28 dias entre as aplicações.
Quem recebeu apenas a primeira dose em uma etapa anterior poderá procurar o HUB para completar o esquema, desde que atenda aos critérios atuais.
Já quem recebeu as duas doses não tem indicação de revacinação neste momento.
Quem teve contato com alguém com mpox também pode receber?
Em algumas situações, sim.
Além da vacinação antes de uma possível exposição, existe a chamada vacinação pós-exposição. Ela pode ser indicada para pessoas entre 18 e 49 anos que tiveram contato direto considerado de médio ou alto risco com fluidos ou secreções corporais de alguém com suspeita ou confirmação de mpox.
Nessas situações, a recomendação é que a vacina seja aplicada preferencialmente nos primeiros quatro dias após a exposição. A aplicação ainda pode ocorrer em até 14 dias, desde que a pessoa não tenha desenvolvido sintomas e atenda aos critérios técnicos.
Quando aplicada mais tarde, entre o quinto e o 14º dia, a capacidade de impedir a infecção pode ser menor, mas a vacinação ainda pode contribuir para reduzir o risco de evolução para formas graves.
Quem teve contato deve procurar atendimento
Quem teve contato próximo com uma pessoa com suspeita ou confirmação de mpox não deve esperar necessariamente o surgimento de lesões para buscar orientação.
A recomendação do Ministério da Saúde é procurar um serviço de saúde para que a exposição seja classificada e para receber orientação sobre sintomas e possibilidade de vacinação pós-exposição.
O contato que justifica avaliação pode envolver exposição direta a lesões, fluidos corporais, secreções ou situações de contato íntimo prolongado.
Quais são os principais sintomas da mpox?
A mpox é provocada pelo vírus monkeypox, também chamado de MPXV.
Um dos sinais mais característicos são lesões ou erupções na pele, que podem surgir em diferentes regiões do corpo, inclusive na região genital, anal, boca, rosto, mãos e pés.
Também podem aparecer:
- febre;
- aumento dos gânglios, conhecido como ínguas;
- dor de cabeça;
- dores musculares;
- calafrios;
- cansaço ou fraqueza.
Na maioria das pessoas, a doença evolui de forma leve ou moderada e melhora em algumas semanas. Pessoas imunossuprimidas, entretanto, podem apresentar maior risco de complicações.
Como ocorre a transmissão?
A transmissão acontece principalmente por contato próximo com uma pessoa infectada.
Isso pode ocorrer por contato direto com lesões da pele ou mucosas, secreções corporais, beijo, contato íntimo ou sexual e, em determinadas situações, exposição prolongada a gotículas respiratórias.
Objetos contaminados, como roupas, toalhas e roupas de cama, também podem participar da transmissão.
Por isso, pessoas com suspeita ou confirmação devem evitar contato próximo com outras pessoas até o fim do período de transmissão e seguir as orientações da equipe de saúde.
Mpox é uma infecção sexualmente transmissível?
Não é classificada exclusivamente como uma IST.
A doença pode ser transmitida durante relações sexuais por causa do contato íntimo e direto com pele, mucosas, lesões e secreções, mas outras formas de contato próximo também podem transmitir o vírus.
Isso significa que qualquer pessoa exposta ao vírus pode adquirir mpox.
A concentração atual de casos em determinados grupos não significa que a doença esteja restrita a essas populações.
Brasil registrou 665 casos em 2026
O Ministério da Saúde informou que o Brasil registrou 665 casos confirmados de mpox em 2026, número aproximadamente 94% menor do que em 2022, quando foram contabilizados mais de 10 mil casos.
Apesar da redução expressiva, o governo mantém vigilância epidemiológica e estoque estratégico de vacinas porque o vírus continua circulando e pode provocar surtos.
O Ministério da Saúde autorizou recentemente a aquisição de até 20 mil novas doses por meio do Fundo Rotatório da Organização Pan-Americana da Saúde. A compra tem caráter preventivo e busca garantir capacidade de resposta caso haja mudança no cenário epidemiológico.
Não haverá vacinação em massa neste momento
A chegada da vacina ao DF não significa que toda a população precise ser imunizada.
A estratégia brasileira é direcionada para grupos com maior risco de doença grave e pessoas com exposições específicas. A vacinação também pode ser ampliada conforme disponibilidade de doses e avaliação epidemiológica.
Isso acontece porque o número de casos no país atualmente é muito inferior ao observado no grande surto de 2022 e porque as doses disponíveis são utilizadas de maneira prioritária em pessoas com maior vulnerabilidade.
Por que pessoas com HIV e CD4 baixo têm prioridade?
Os linfócitos CD4 participam da coordenação da resposta imunológica. Em pessoas vivendo com HIV, uma contagem muito baixa pode indicar imunossupressão importante.
Esses pacientes apresentam maior risco de desenvolver formas extensas e graves da mpox caso sejam infectados. Por isso, o Ministério da Saúde colocou inicialmente pessoas com CD4 inferior a 100 células/mm³ no topo da estratégia de vacinação pré-exposição.
À medida que houver doses disponíveis, pessoas com níveis de CD4 mais altos e outros grupos poderão ser incluídos.
Vacina não substitui outras formas de prevenção
Mesmo pessoas vacinadas devem manter cuidados para reduzir exposição ao vírus.
O Ministério da Saúde recomenda evitar contato direto com lesões de pessoas com suspeita ou confirmação de mpox, não compartilhar objetos pessoais e manter higiene adequada das mãos, roupas, toalhas e superfícies.
Também é importante procurar atendimento rapidamente diante de sintomas compatíveis, porque a identificação precoce ajuda a reduzir a transmissão para outras pessoas.
O que fazer se aparecer uma lesão suspeita?
Lesões novas na pele ou em mucosas, principalmente quando acompanhadas de febre, ínguas, dor ou histórico recente de contato íntimo, devem ser avaliadas por um profissional de saúde.
A equipe poderá investigar a possibilidade de mpox, coletar material para diagnóstico quando indicado e orientar sobre isolamento e acompanhamento.
Até que o diagnóstico seja esclarecido, a recomendação é evitar contato próximo e não compartilhar roupas, toalhas ou objetos pessoais.
DF poderá receber novas doses
As 100 doses recebidas agora são uma remessa inicial.
A Secretaria de Saúde informou que acompanhará a utilização do imunizante, a quantidade de pessoas elegíveis e o cenário epidemiológico para decidir se será necessário solicitar novas doses ao Ministério da Saúde.
Como o esquema completo exige duas aplicações, o planejamento também precisa considerar a necessidade de garantir a segunda dose aos pacientes que iniciarem a vacinação.
Como saber se tenho direito à vacina?
Quem vive com HIV/aids e atende aos critérios iniciais provavelmente será identificado pela própria rede de saúde e contatado para agendamento.
Pessoas que acreditam se enquadrar nos critérios e não forem procuradas podem entrar em contato com a Sala de Vacinação do HUB para receber orientação.
Já quem teve contato recente com pessoa com suspeita ou confirmação de mpox deve procurar um serviço de saúde rapidamente, principalmente porque a vacinação pós-exposição apresenta maior benefício quando realizada nos primeiros dias após o contato.
