Saúde

Câncer de próstata matou 50 homens por dia no Brasil; veja quem deve investigar

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Cerca de 18,5 mil homens morreram por câncer de próstata no Brasil em 2025, o equivalente a aproximadamente 50 mortes por dia. O dado do Ministério da Saúde foi divulgado pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) na abertura do Novembro Azul e reforça a importância da informação sobre uma doença que frequentemente não provoca sintomas em suas fases iniciais.

Para 2026, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima 77.920 novos casos de câncer de próstata no país. Excluindo os tumores de pele não melanoma, ele é o câncer mais incidente entre os homens brasileiros e representa cerca de 30% dos novos cânceres masculinos estimados.

O ponto mais importante, porém, é que procurar a doença precocemente não significa que todos os homens devam simplesmente fazer PSA e toque retal todos os anos. Há diferenças entre as recomendações das entidades médicas, e a decisão deve considerar idade, histórico familiar, fatores de risco, expectativa de vida e os possíveis benefícios e consequências dos exames.

Câncer de próstata costuma não dar sintomas no começo

Um dos desafios do câncer de próstata é que a doença pode evoluir por algum tempo sem provocar sinais perceptíveis. Por isso, esperar dor ou dificuldade para urinar para procurar atendimento não é uma estratégia segura para pessoas com maior risco.

Quando surgem sintomas, eles também não são exclusivos do câncer. Aumento da frequência urinária, dificuldade para iniciar ou manter o fluxo da urina e jato urinário fraco, por exemplo, são muito comuns em problemas benignos da próstata.

Nos casos mais avançados, podem aparecer sangue na urina ou no sêmen, dificuldade para urinar, disfunção erétil e dores ósseas. Esses sinais exigem avaliação médica, mas não significam automaticamente presença de câncer.

Quem tem maior risco?

A idade é o principal fator de risco para o câncer de próstata. Segundo o INCA, tanto a incidência quanto a mortalidade aumentam significativamente com o envelhecimento, e a grande maioria dos casos ocorre depois dos 55 anos.

O histórico familiar também merece atenção, principalmente quando pai ou irmão tiveram câncer de próstata antes dos 60 anos. Isso pode indicar maior influência de fatores genéticos e aumentar a necessidade de uma avaliação individualizada mais precoce.

A obesidade também está associada a maior risco de formas mais avançadas da doença. Pessoas negras são igualmente consideradas um grupo de maior risco em diversas diretrizes e aparecem nas recomendações da SBU para discussão mais precoce sobre rastreamento.

A partir de que idade é preciso investigar?

Não existe uma única resposta que sirva para todos os homens.

A Sociedade Brasileira de Urologia recomenda que homens a partir dos 50 anos procurem avaliação médica para discutir individualmente a detecção precoce do câncer de próstata. Para homens negros, pessoas com histórico familiar da doença e obesos, a SBU recomenda que essa conversa comece aos 45 anos.

Já o Ministério da Saúde e o INCA não recomendam um programa de rastreamento populacional, ou seja, não orientam que todos os homens sem sintomas façam PSA e toque retal de forma automática apenas por terem atingido determinada idade. Para quem deseja realizar o rastreamento, a orientação é discutir riscos e benefícios com um profissional de saúde e tomar a decisão de forma compartilhada.

Isso significa que um homem saudável de 50 anos não deve interpretar Novembro Azul como uma obrigação de realizar exames imediatamente. O ideal é conversar com o médico sobre o próprio risco e decidir se o rastreamento faz sentido naquele momento.

Por que existe discussão sobre fazer PSA em todo mundo?

O PSA ajudou a detectar muitos tumores antes do surgimento de sintomas, mas o exame tem limitações.

O antígeno prostático específico (PSA) é uma proteína produzida pela próstata. Um nível elevado pode ocorrer em homens com câncer, mas também em situações benignas, como aumento da próstata e inflamações. Portanto, PSA alto não significa necessariamente câncer.

Além disso, alguns cânceres de próstata crescem tão lentamente que nunca provocariam sintomas ou ameaçariam a vida do paciente. Detectar esses tumores pode levar ao chamado sobrediagnóstico, seguido em alguns casos de tratamentos que talvez nunca fossem necessários.

Esses tratamentos podem trazer efeitos adversos importantes, como incontinência urinária e disfunção sexual. É justamente esse equilíbrio entre identificar tumores perigosos mais cedo e evitar diagnóstico e tratamento desnecessários que explica por que Ministério da Saúde e INCA não recomendam rastreamento indiscriminado da população masculina.

O que é o exame de PSA?

O PSA é um exame de sangue que mede a concentração do antígeno prostático específico. Ele pode funcionar como uma das primeiras ferramentas na investigação de alterações da próstata, mas seu resultado precisa ser interpretado junto com idade, histórico clínico, exames anteriores e outros fatores.

Um único resultado elevado não confirma câncer. Dependendo da situação, o médico pode repetir o PSA, avaliar a proporção entre PSA livre e total, considerar exames de imagem ou indicar outros procedimentos antes de chegar à biópsia.

A própria SBU ressalta que o PSA não deve ser utilizado isoladamente para estabelecer o diagnóstico.

E o toque retal?

No toque retal, o médico avalia partes da próstata através do reto, observando características como tamanho, consistência, forma e presença de áreas endurecidas ou irregulares.

O exame é rápido e fornece informações que o PSA sozinho não oferece. Em alguns casos, um paciente pode apresentar PSA dentro de uma faixa aparentemente normal e ainda ter uma alteração suspeita no exame físico.

Da mesma maneira, encontrar uma alteração no toque não significa que exista necessariamente câncer. Quando os exames levantam suspeita, são necessárias etapas adicionais de investigação.

PSA ou toque confirmam o diagnóstico?

Não.

Nem o PSA nem o toque retal conseguem confirmar sozinhos que uma pessoa tem câncer de próstata. Eles são exames utilizados para avaliar o risco e identificar situações em que uma investigação adicional pode ser necessária.

Quando há suspeita, exames como ressonância magnética podem ajudar a avaliar a próstata e orientar a necessidade de biópsia. O diagnóstico definitivo do câncer depende da análise do tecido obtido na biópsia da próstata.

Sintomas urinários significam câncer?

Na maioria das vezes, não.

Dificuldade para urinar, aumento da frequência urinária e necessidade de levantar várias vezes durante a noite podem ocorrer em homens com hiperplasia prostática benigna, condição muito comum com o avanço da idade e que não é câncer.

Infecções urinárias, inflamações da próstata e outros problemas também podem produzir sintomas semelhantes.

Por isso, a presença de sintomas urinários deve levar à investigação médica, mas não deve ser interpretada como diagnóstico de câncer.

Quando é importante procurar um médico sem esperar?

Independentemente da idade, alguns sintomas justificam avaliação médica. Entre eles estão:

  • sangue na urina;
  • sangue no sêmen;
  • dificuldade persistente para urinar;
  • redução importante ou interrupção do fluxo urinário;
  • alterações urinárias que surgem ou pioram;
  • dor óssea sem explicação;
  • perda de peso sem causa clara.

Também vale procurar atendimento para discutir risco individual quando há histórico familiar significativo da doença, especialmente em parentes próximos diagnosticados precocemente.

Diagnóstico precoce melhora as possibilidades de tratamento

Embora alguns tumores de próstata tenham evolução lenta, outros podem ser agressivos e se espalhar para outras partes do organismo.

Quando a doença é identificada enquanto ainda está restrita à próstata ou à região próxima, as possibilidades terapêuticas e o prognóstico costumam ser muito melhores. Dados citados pelo Ministério da Saúde indicam sobrevida em cinco anos superior a 98% nos casos diagnosticados em estágio localizado.

Mas “diagnóstico precoce” não deve ser confundido automaticamente com rastreamento indiscriminado. O objetivo é identificar adequadamente quem pode se beneficiar dos exames e investigar rapidamente pessoas que apresentam sinais, sintomas ou risco aumentado.

Nem todo câncer de próstata precisa ser tratado imediatamente

Outra questão que mudou bastante nos últimos anos é a abordagem dos tumores de baixo risco.

Alguns cânceres apresentam crescimento tão lento que podem ser acompanhados com uma estratégia chamada vigilância ativa. Nesses casos, o paciente passa por monitoramento regular e o tratamento é iniciado se houver sinais de progressão.

Isso evita que determinados homens sejam submetidos desnecessariamente a cirurgia ou radioterapia e aos possíveis efeitos colaterais desses tratamentos.

A decisão depende de características do tumor, idade, exames, estado geral de saúde e preferência do paciente.

Tratamento depende do estágio e do risco do tumor

Quando há necessidade de tratamento, as possibilidades podem incluir cirurgia, radioterapia, tratamento hormonal e outras terapias sistêmicas. A escolha depende principalmente do estágio da doença e das características biológicas do tumor.

Em 2026, a cirurgia de próstata assistida por robô também foi incorporada ao SUS, segundo a Sociedade Brasileira de Urologia. A entidade destaca ainda novas opções locais para pacientes selecionados, como ultrassom focalizado de alta intensidade e crioblação.

Essas técnicas não são indicadas para todos os pacientes e devem ser avaliadas individualmente por equipes especializadas.

Quase 78 mil novos casos são esperados por ano

As novas estimativas do INCA apontam 77.920 casos de câncer de próstata por ano entre 2026 e 2028, correspondendo a uma taxa bruta estimada de 74,62 casos a cada 100 mil homens.

Sem considerar os tumores de pele não melanoma, o câncer de próstata é o mais incidente entre homens em todas as regiões brasileiras. A incidência estimada é maior no Sudeste, mas a doença representa um problema relevante em todo o país.

Em 2024, o Brasil registrou 17.826 mortes pela doença. Já os dados preliminares divulgados pela SBU para 2025 indicam cerca de 18,5 mil óbitos, o que resulta na média aproximada de 50 mortes por dia.

Novembro Azul vai além do câncer de próstata

Embora o câncer de próstata seja o tema mais conhecido do Novembro Azul, a campanha também pode funcionar como oportunidade para lembrar os homens de cuidar da saúde de forma mais ampla.

Pressão arterial, colesterol, diabetes, obesidade, vacinação, saúde mental, tabagismo, consumo de álcool e atividade física também têm impacto importante na saúde masculina e não devem ser deixados de lado.

No caso específico da próstata, a mensagem mais adequada não é simplesmente “todo homem precisa fazer PSA e toque”. A recomendação é não ignorar sintomas, conhecer os fatores de risco e conversar com um profissional de saúde sobre os benefícios e possíveis consequências do rastreamento.

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