Saúde

Bombeiros alertam para riscos de afogamento no Lago Paranoá

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O Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF) voltou a alertar para os riscos de afogamento no Lago Paranoá após a morte de um jovem de 19 anos nas proximidades da Ponte JK.

Entre janeiro e junho de 2026, o Distrito Federal registrou 56 ocorrências de afogamento, sendo 33 somente no Lago Paranoá, segundo dados da corporação. Em 2025, foram 56 casos ao longo de todo o ano, dos quais 25 ocorreram no lago e seis terminaram em morte.

O caso mais recente ocorreu na segunda-feira, 12 de outubro. A vítima foi localizada por mergulhadores depois de cerca de 20 minutos de buscas. Bombeiros e equipes do Samu ainda realizaram manobras de reanimação por aproximadamente 50 minutos, mas o jovem não resistiu.

Saber nadar não elimina o risco

Um dos principais alertas dos bombeiros é que mesmo pessoas que sabem nadar podem enfrentar situações perigosas em ambientes naturais.

Profundidade desconhecida, mudanças nas condições da água, cansaço, mal-estar repentino e excesso de confiança podem transformar rapidamente uma situação de lazer em emergência.

O Lago Paranoá também recebe grande número de banhistas, embarcações e praticantes de esportes aquáticos, especialmente em fins de semana e feriados.

Por isso, conhecer o local e respeitar os próprios limites é fundamental.

Álcool aumenta o risco de afogamento

O consumo de bebidas alcoólicas antes ou durante atividades aquáticas está entre as principais situações de risco apontadas pelo CBMDF.

Durante a Operação Carnaval 2026, a corporação informou que 46% dos atendimentos realizados tinham relação direta com alcoolemia e destacou que álcool associado a banho e atividades no lago aumenta significativamente o risco de acidentes e afogamentos.

O álcool pode prejudicar julgamento, equilíbrio, coordenação e percepção de perigo.

Por isso, a recomendação é simples: quem consumiu bebida alcoólica não deve entrar na água nem conduzir embarcações.

Crianças precisam de supervisão constante

Outro cuidado reforçado pelos bombeiros é a vigilância de crianças.

Em ambientes aquáticos, a supervisão deve ser contínua e próxima. Não basta observar de longe ou confiar apenas em boias e outros acessórios infláveis.

O CBMDF recomenda atenção permanente e uso de colete salva-vidas adequado quando a atividade exigir equipamento de flutuação.

Boias infláveis não substituem coletes homologados.

Não nade longe da margem

A recomendação também é evitar entrar sozinho na água e não se afastar excessivamente da margem.

Quanto maior a distância, maior a dificuldade para retornar em caso de cansaço, câimbra, mal-estar ou mudança inesperada nas condições da água.

O próprio excesso de confiança é apontado pelos bombeiros como um fator frequente em acidentes aquáticos.

Mesmo bons nadadores podem se cansar rapidamente em águas profundas.

Nunca mergulhe de cabeça em local desconhecido

Outro risco importante são os mergulhos em áreas cuja profundidade não é conhecida.

A orientação é não mergulhar de cabeça quando não se sabe o que existe abaixo da superfície.

Além do risco de afogamento, impactos contra pedras, estruturas ou o fundo podem provocar traumatismos graves e lesões na coluna.

A Sociedade Brasileira de Salvamento Aquático (Sobrasa) recomenda entrar em águas rasas ou desconhecidas sempre com os pés primeiro.

Procure áreas com guarda-vidas

O CBMDF mantém reforço de guarda-vidas no Lago Paranoá aos sábados, domingos e feriados.

Segundo a corporação, postos extras são mantidos em locais como:

  • Ermida Dom Bosco;
  • Ponte JK;
  • Ponte do Bragueto;
  • Ponte Honestino Guimarães;
  • Prainha do Paranoá.

A corporação alerta que áreas sem guarda-vidas apresentam risco muito maior de morte por afogamento.

Por isso, sempre que possível, a recomendação é escolher locais monitorados.

O que fazer se perceber alguém se afogando?

O impulso de entrar imediatamente na água para ajudar pode colocar uma segunda pessoa em risco.

A recomendação da Sobrasa é, sempre que possível, ajudar sem entrar na água.

Quem presencia uma situação de afogamento deve:

  • chamar imediatamente o Corpo de Bombeiros pelo 193;
  • manter a vítima sob observação;
  • lançar um objeto que flutue, como boia, prancha ou outro material;
  • tentar oferecer uma corda ou objeto comprido a partir de uma posição segura;
  • evitar entrar na água se não tiver treinamento e condições para realizar o resgate.

A Sobrasa alerta que muitas pessoas morrem tentando resgatar outra vítima sem preparo adequado.

Se você estiver se afogando, tente flutuar

Quem percebe que está em dificuldade dentro da água deve tentar manter a calma.

A orientação é flutuar, economizar energia e sinalizar por ajuda, evitando movimentos desesperados que acelerem o cansaço.

Se estiver perto da margem e houver condições seguras, a pessoa pode tentar se deslocar lentamente.

Em qualquer situação, preservar energia é fundamental.

Afogamento pode ser silencioso

Diferentemente do que muitas vezes aparece em filmes, uma pessoa se afogando nem sempre consegue gritar ou acenar.

Entre os sinais descritos pela Sobrasa estão:

  • corpo na posição vertical sem conseguir avançar;
  • pessoa afundando e voltando à superfície;
  • movimentos desordenados dos braços;
  • expressão de pânico;
  • dificuldade para manter o rosto acima da água.

Reconhecer esses sinais rapidamente pode ajudar a acionar o socorro mais cedo.

Em emergência, ligue 193

O Corpo de Bombeiros atende ocorrências de afogamento e outras emergências pelo telefone 193, 24 horas por dia.

Ao ligar, é importante informar com precisão:

  • o local da ocorrência;
  • o que aconteceu;
  • quantas pessoas estão envolvidas;
  • um ponto de referência;
  • telefone para contato.

Essas informações ajudam as equipes a chegar mais rapidamente ao ponto correto.

Lago Paranoá exige prevenção mesmo em dias tranquilos

O Lago Paranoá é um dos principais espaços de lazer de Brasília, mas os números mostram que o ambiente exige cuidado.

Com 33 ocorrências de afogamento somente no primeiro semestre de 2026, mais da metade dos casos registrados no DF no período ocorreu no lago.

As principais recomendações dos bombeiros continuam sendo evitar álcool antes de entrar na água, não nadar sozinho, permanecer próximo à margem, supervisionar crianças, utilizar colete salva-vidas quando indicado e procurar áreas com guarda-vidas.

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