Alimentação

Estudo: Carboidrato no Jantar Causa Pré-Diabetes?

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A tese de que comer carboidrato à noite, por si só, levaria ao pré-diabetes simplifica demais um processo metabólico que depende de dose, qualidade do alimento e, sobretudo, da resposta individual do organismo.

Estudos recentes reforçam que o período noturno pode, sim, concentrar pior tolerância glicêmica em algumas pessoas, mas isso não equivale a dizer que “carboidrato no jantar” cause pré-diabetes automaticamente.

O que é pré-diabetes (e como ele é identificado)

Pré-diabetes é um estado intermediário em que a glicose já está acima do ideal, mas ainda não atinge os critérios de diabetes. Entre os critérios amplamente usados, estão A1c entre 5,7% e 6,4%, glicemia de jejum entre 100 e 125 mg/dL, ou glicemia de 2 horas no teste oral de tolerância à glicose entre 140 e 199 mg/dL.

O que um estudo observou sobre “a última refeição do dia”

Um trabalho publicado em 2025 na Nutrients investigou como a glicose se comporta após a última refeição do dia e durante o jejum noturno, e como isso se relaciona com a glicemia de jejum na manhã seguinte. Foram acompanhados 33 adultos de 50 a 75 anos, com pré-diabetes ou diabetes tipo 2 controlado por dieta (e, no protocolo do estudo, com uma rotina de refeições em horários fixos, incluindo a última refeição às 22h), usando monitorização contínua de glicose.

O achado central foi que uma resposta glicêmica mais alta nas três horas após a última refeição se associou a glicemia de jejum mais alta no dia seguinte. O mesmo ocorreu com os níveis de glicose ao longo do período noturno.

Mas há um ponto decisivo para interpretação: quando os autores ajustaram as análises para quantidade de carboidrato no jantar e para sensibilidade à insulina (índice de Matsuda), parte das associações perdeu força, sugerindo que o efeito não é “o horário” isoladamente — ele é modulado pela composição do jantar e pelo perfil metabólico de cada pessoa.

O que a literatura mais ampla sugere sobre carboidrato à noite

Uma revisão sistemática e meta-análise em estudos cruzados (crossover) comparou refeições com carboidratos consumidas pela manhã versus à noite em indivíduos saudáveis e encontrou respostas glicêmicas pós-prandiais mais altas no período noturno, enquanto os resultados para insulina não mostraram diferença consistente entre manhã e noite.


Isso ajuda a entender por que algumas pessoas percebem piora quando concentram carboidratos tarde: em média, o organismo pode lidar com a glicose de forma menos eficiente no fim do dia. Ainda assim, esse efeito médio não determina, sozinho, evolução para pré-diabetes.

Então, o que realmente “pesa” no jantar?

O conjunto das evidências favorece uma leitura prática: para reduzir picos de glicose no período noturno, costuma ser mais útil olhar para quantidade total, tipo de carboidrato e combinação com fibras, proteínas e gorduras, além de considerar o grau de resistência à insulina e a rotina de sono/atividade. Em pessoas com pré-diabetes (ou em risco), isso pode significar ajustar porções e preferir fontes de carboidrato com mais fibra e menor densidade de açúcar, sem transformar o jantar em um “território proibido”.

Limites do que dá para concluir

O estudo da Nutrients é controlado e útil para entender mecanismos, mas é pequeno (33 participantes) e foi desenhado para explorar associações e gerar hipóteses, não para provar causalidade universal.

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