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Pesquisa: Brasileiros passam 88% do dia acordados sem se movimentar

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Os brasileiros estimam passar 88% do período em que estão acordados praticamente sem se movimentar, segundo o Relatório de Preservação do Movimento 2026. Considerando uma rotina de aproximadamente 16 horas acordado por dia, isso equivale a cerca de 14 horas com pouco ou nenhum movimento significativo.

O levantamento foi encomendado pela marca esportiva ASICS e realizado em julho de 2026 com 34 mil adultos de 31 países, incluindo mil participantes no Brasil. As amostras foram estruturadas para representar idade, gênero e região em cada mercado, mas as informações foram obtidas por meio de questionário on-line e são autodeclaradas, ou seja, não houve monitoramento por acelerômetros, relógios ou outros dispositivos capazes de medir objetivamente o tempo parado.

Por isso, o dado de 88% deve ser interpretado como uma estimativa relatada pelos participantes, e não como uma medição direta de que todo brasileiro permanece exatamente esse percentual do dia imóvel. Ainda assim, os resultados chamam atenção para uma questão cada vez mais discutida na saúde pública: não basta olhar apenas para o tempo dedicado à academia ou à corrida. Também importa quanto tempo passamos sentados ou praticamente sem movimento durante o restante do dia.

Seis em cada dez brasileiros fazem menos atividade do que o recomendado

Além do tempo estimado sem movimento, a pesquisa mostrou que 59% dos adultos brasileiros entrevistados não atingem 150 minutos semanais de atividade física, patamar usado pelo levantamento como referência para classificar uma pessoa como ativa. Outros 35% disseram praticar menos de 30 minutos de atividade física por semana, colocando o Brasil entre os países com maior proporção de participantes nessa faixa.

A pesquisa dividiu os participantes em três grupos: pessoas ativas, com pelo menos 150 minutos semanais; pessoas consideradas “em risco”, com 30 a 149 minutos; e aquelas classificadas pelo relatório como “ameaçadas”, com menos de 30 minutos semanais. Esses nomes são categorias criadas pelo próprio projeto e não correspondem a diagnósticos médicos oficiais.

As recomendações da Organização Mundial da Saúde indicam que adultos devem realizar, de forma geral, pelo menos 150 a 300 minutos de atividade física aeróbica de intensidade moderada por semana, ou 75 a 150 minutos de atividade vigorosa, além de limitar o tempo sedentário. A OMS também ressalta que alguma atividade física é melhor do que nenhuma e que até movimentos de baixa intensidade podem trazer benefícios quando substituem períodos prolongados de sedentarismo.

Ficar sentado e não fazer exercício são a mesma coisa?

Não exatamente.

Inatividade física costuma se referir ao fato de a pessoa não atingir as recomendações mínimas de atividade física. Já o comportamento sedentário envolve passar muito tempo acordado em atividades de baixo gasto energético, normalmente sentado, reclinado ou deitado.

Isso significa que uma pessoa pode cumprir sua hora de academia, corrida ou treino e, ainda assim, passar grande parte do restante do dia sentada diante do computador, no carro, no sofá ou usando o celular.

As diretrizes da OMS recomendam justamente reduzir o tempo em comportamento sedentário e substituir parte dele por movimento de qualquer intensidade. Quanto maior o tempo sedentário, maior tende a ser a importância de compensá-lo com atividade física regular.

Vida moderna tornou mais fácil passar o dia parado

No levantamento, 80% dos brasileiros entrevistados disseram que a vida moderna tornou fácil passar praticamente um dia inteiro sem se movimentar, enquanto 53% afirmaram que poderiam passar três dias ou mais sem sair de casa.

Os hábitos digitais ajudam a explicar parte desse cenário. Entre os participantes brasileiros, 41% disseram realizar regularmente compras ou outras tarefas pela internet em vez de fazê-las presencialmente, enquanto 61% afirmaram socializar por telefone ou videochamada em vez de encontros presenciais em algumas situações.

Trabalhar em casa, pedir comida por aplicativo, fazer compras on-line, usar elevadores, deslocar-se de carro e passar o lazer diante de telas são conveniências que podem reduzir oportunidades de movimento que antes faziam parte naturalmente da rotina.

Isso não significa que tecnologia seja necessariamente prejudicial. O problema surge quando praticamente todas as atividades do cotidiano passam a exigir pouco ou nenhum deslocamento.

Jovens aparecem entre os que menos se movimentam

Outro resultado que chama atenção envolve adultos jovens. No Brasil, participantes entre 18 e 24 anos apresentaram uma das maiores proporções de atividade física muito baixa, com 36,8% relatando menos de 30 minutos semanais. Esse grupo também registrou a menor pontuação do país no índice de estado mental criado pelo levantamento.

O resultado contraria a ideia de que sedentarismo seja um problema restrito a pessoas mais velhas. O aumento do tempo de tela, estudo ou trabalho remoto, entretenimento digital e redução dos deslocamentos pode fazer com que adultos jovens acumulem muitas horas praticamente imóveis.

O dado, porém, não demonstra que a falta de movimento seja a causa direta de pior saúde mental. A pesquisa encontrou uma associação entre os dois fatores, mas, por ser observacional e baseada em respostas dos próprios participantes, não consegue estabelecer causalidade.

Pessoas mais ativas relataram melhor estado mental

O relatório também utiliza um indicador próprio chamado State of Mind, calculado a partir de respostas sobre energia, concentração, tranquilidade, confiança, capacidade de lidar com o estresse e outros aspectos cognitivos e emocionais.

No Brasil, pessoas classificadas como ativas tiveram pontuação média de 74 pontos, enquanto aquelas que faziam menos de 30 minutos de atividade física por semana registraram média de 63 pontos, diferença de 11 pontos.

Os participantes mais ativos também relataram melhores percepções de energia, equilíbrio emocional, foco e capacidade de lidar com o estresse. Novamente, esses resultados mostram associação e não permitem concluir que aumentar sozinho a quantidade de exercício provocará necessariamente a mesma mudança em cada pessoa.

Por que ficar muito tempo sentado preocupa?

Longos períodos de comportamento sedentário estão associados a maior risco de diferentes problemas de saúde, especialmente quando acompanhados de níveis baixos de atividade física.

A OMS aponta que maiores quantidades de comportamento sedentário em adultos estão associadas a aumento do risco de mortalidade por todas as causas, doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2 e outros desfechos negativos. Por isso, a recomendação não é apenas “fazer exercício”, mas também reduzir o período total passado sentado ou praticamente parado.

Na prática, isso significa que a saúde não depende apenas de uma sessão de treino isolada. A quantidade de movimento acumulada ao longo do dia também conta.

Quem treina todos os dias também precisa se preocupar?

Pode precisar.

Uma pessoa que faz uma hora de academia pela manhã e depois passa dez ou 12 horas praticamente sentada ainda acumula um período considerável de comportamento sedentário.

O treino continua trazendo benefícios importantes e não deve ser considerado “anulado” pelo tempo sentado. O ponto é que atividade física e comportamento sedentário são fatores relacionados, mas diferentes.

Por isso, além de cumprir as recomendações semanais de exercício, vale buscar oportunidades para levantar, caminhar e realizar pequenas tarefas em pé ao longo do dia.

Preciso levantar a cada 30 minutos?

Não existe uma regra universal segundo a qual todas as pessoas precisem obrigatoriamente levantar exatamente a cada 30 ou 60 minutos.

O mais importante é evitar períodos excessivamente longos sem qualquer movimento e buscar maneiras realistas de interromper o tempo sentado.

Uma pessoa que trabalha em escritório, por exemplo, pode caminhar para buscar água, levantar durante algumas ligações, usar escadas quando possível, fazer pequenos trajetos a pé ou aproveitar intervalos para se movimentar.

Esses movimentos não substituem totalmente uma rotina regular de atividade física, mas ajudam a reduzir o tempo em comportamento sedentário.

Pequenos movimentos também contam

Uma das principais mensagens das diretrizes atuais de atividade física é que não é necessário transformar todo movimento em um treino formal.

Caminhar até uma loja, subir escadas, levar o cachorro para passear, brincar com crianças, fazer tarefas domésticas ou simplesmente levantar-se com mais frequência são formas de incorporar movimento ao dia.

A OMS reforça que substituir períodos sedentários por atividade física de qualquer intensidade, inclusive leve, já pode proporcionar benefícios.

Para quem está completamente parado, começar com pequenas quantidades e aumentar gradualmente costuma ser mais realista do que tentar mudar toda a rotina de uma vez.

Quanto exercício é recomendado?

Para adultos, a OMS recomenda de maneira geral 150 a 300 minutos de atividade aeróbica moderada por semana, ou 75 a 150 minutos de atividade vigorosa, ou uma combinação equivalente.

Atividades de fortalecimento muscular também são recomendadas regularmente, especialmente envolvendo os principais grupos musculares.

Esses valores são referências populacionais. Pessoas com doenças crônicas, limitações físicas, gestantes, idosos ou indivíduos retornando ao exercício depois de muito tempo podem precisar de adaptação e orientação profissional.

O dado dos 88% tem limitações

Apesar do impacto do número, é importante entender como ele foi obtido.

O Relatório de Preservação do Movimento não é um artigo científico independente publicado em revista acadêmica e revisado por pares. Trata-se de uma pesquisa global encomendada pela ASICS e realizada pela empresa de pesquisa OnePoll, com participação de especialistas acadêmicos.

Os participantes responderam a um questionário on-line e estimaram seus próprios níveis de movimento. Portanto, os 88% não vieram de sensores que acompanharam objetivamente quanto tempo cada pessoa ficou sentada, em pé ou caminhando.

Além disso, o relatório trabalha com indicadores próprios, como o State of Mind e as categorias de “preservação do movimento”. Esses elementos ajudam a comparar os grupos dentro da própria pesquisa, mas não devem ser confundidos com diagnósticos médicos ou métricas oficiais da OMS.

Ainda assim, o levantamento reforça uma mensagem já sustentada por diretrizes internacionais: passar menos tempo parado e acumular mais movimento ao longo do dia é benéfico para a saúde.

Como se movimentar mais durante o dia?

Não é necessário começar correndo ou frequentando uma academia todos os dias. Mudanças simples podem aumentar significativamente a quantidade de movimento acumulada.

Caminhar pequenos trajetos, usar escadas, deixar o carro um pouco mais distante, realizar tarefas em pé, brincar com os filhos, passear com o cachorro e fazer breves caminhadas durante os intervalos de trabalho são estratégias simples.

Para quem trabalha muitas horas sentado, criar lembretes para levantar de tempos em tempos também pode ajudar. O objetivo é diminuir grandes blocos contínuos de sedentarismo e tornar o movimento mais presente na rotina.

A mensagem principal não é que todos precisem se transformar em atletas, mas que o corpo humano se beneficia de movimento frequente — tanto por meio do exercício estruturado quanto das pequenas atividades realizadas durante o dia.

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