Saúde

Calor extremo pode aumentar riscos na gravidez, alerta ONU

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O calor extremo pode representar riscos importantes para gestantes e bebês, segundo alertas de organismos das Nações Unidas.

Evidências reunidas pela Organização Mundial da Saúde (OMS), pelo Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) e por outros parceiros mostram que a exposição a temperaturas muito altas durante a gestação está associada a maior risco de parto prematuro, baixo peso ao nascer, natimortalidade, hipertensão gestacional e diabetes gestacional.

As altas temperaturas também aumentam o risco de desidratação, exaustão pelo calor e sobrecarga cardiovascular, o que torna as gestantes um dos grupos que exigem maior atenção durante ondas de calor.

Por que gestantes sentem mais os efeitos do calor?

Durante a gravidez, o organismo passa por várias mudanças fisiológicas.

Há aumento do volume de sangue circulante, maior esforço cardiovascular e alterações na forma como o corpo regula a temperatura.

Isso pode dificultar a dissipação do calor em dias muito quentes e aumentar a possibilidade de desidratação e queda de pressão.

A OMS destaca que gestantes estão entre os grupos mais vulneráveis aos efeitos do calor extremo.

Quais riscos podem aumentar?

Segundo documentos da OMS e do UNFPA, a exposição ao calor extremo está associada a maior risco de:

  • parto prematuro;
  • baixo peso ao nascer;
  • natimortalidade;
  • hipertensão na gravidez;
  • diabetes gestacional;
  • desidratação;
  • estresse cardiovascular;
  • exaustão pelo calor.

Isso não significa que um único dia quente vá necessariamente provocar uma complicação, mas o risco tende a aumentar conforme a intensidade, duração e frequência da exposição.

Parto prematuro está entre as principais preocupações

Entre os desfechos mais estudados está o parto antes de 37 semanas.

A OMS aponta que nascimentos prematuros aumentam durante períodos de calor intenso e ondas de calor.

O mecanismo ainda não é completamente compreendido, mas pode envolver desidratação, alterações cardiovasculares, aumento do estresse fisiológico e respostas inflamatórias.

Bebês também podem ser afetados

Os efeitos do calor não se limitam à gestante.

Estudos reunidos por organismos internacionais relacionam a exposição materna a altas temperaturas a maior probabilidade de baixo peso ao nascer, parto prematuro e natimortalidade.

O UNFPA também chama atenção para possíveis impactos sobre o desenvolvimento fetal em situações de calor intenso, embora o risco varie de acordo com a fase da gestação, intensidade da exposição e outras condições de saúde.

Quanto de água a gestante deve beber?

A necessidade de líquidos varia de pessoa para pessoa, mas em períodos de calor a hidratação precisa ser reforçada.

A OMS orienta gestantes a manter ingestão frequente de água e cita, de forma geral, algo em torno de 2 a 3 litros por dia, com necessidade maior em temperaturas elevadas.

A quantidade ideal pode variar conforme peso, atividade física, fase da gestação, alimentação e orientação médica.

Urina muito escura, boca seca, tontura e redução da frequência urinária podem indicar desidratação.

Quais cuidados ajudam nos dias muito quentes?

Algumas medidas simples podem reduzir o risco de mal-estar:

  • beber água ao longo do dia, mesmo antes de sentir sede;
  • evitar exposição direta ao sol nos horários mais quentes;
  • reduzir atividades físicas intensas em períodos de calor extremo;
  • usar roupas leves e frescas;
  • permanecer em ambientes ventilados ou climatizados quando possível;
  • fazer pausas frequentes;
  • evitar permanecer dentro de carros fechados;
  • tomar banhos frescos;
  • manter alimentação regular e leve.

A OMS recomenda evitar atividades extenuantes nos horários mais quentes e buscar ambientes frescos sempre que possível.

Quais sinais merecem atenção?

Gestantes devem procurar avaliação médica se apresentarem sintomas importantes após exposição ao calor, principalmente:

  • tontura intensa;
  • desmaio;
  • fraqueza importante;
  • confusão;
  • dor de cabeça forte;
  • palpitações;
  • falta de ar;
  • vômitos persistentes;
  • redução importante da urina;
  • contrações;
  • sangramento;
  • diminuição dos movimentos do bebê.

A presença de sinais obstétricos, como sangramento, perda de líquido, contrações regulares ou redução dos movimentos fetais, exige avaliação independentemente da temperatura ambiente.

Calor pode aumentar a pressão na gravidez?

Pode haver impacto sobre a circulação e a pressão arterial.

A OMS relaciona temperaturas extremas a maior risco de distúrbios hipertensivos da gestação, embora o desenvolvimento dessas condições dependa de vários fatores e não possa ser atribuído apenas ao calor.

Gestantes com hipertensão, diabetes, doenças cardíacas ou outras condições de risco devem ter atenção ainda maior durante ondas de calor.

Ar-condicionado faz mal para gestante?

Não há contraindicação geral ao uso de ar-condicionado durante a gravidez.

Em períodos de calor intenso, permanecer em locais frescos pode inclusive ajudar a diminuir o estresse térmico.

O cuidado principal é evitar temperaturas muito baixas e manter o aparelho limpo para reduzir poeira, fungos e outros agentes que podem piorar alergias respiratórias.

Exercício durante o calor exige adaptação

A atividade física pode continuar sendo benéfica durante a gravidez quando há liberação médica, mas o calor muda a forma de treinar.

Em dias muito quentes, é recomendável:

  • preferir horários mais frescos;
  • reduzir intensidade quando necessário;
  • aumentar a ingestão de líquidos;
  • evitar exposição prolongada ao sol;
  • interromper o exercício diante de tontura, fraqueza, dor de cabeça ou mal-estar.

A OMS considera gestantes e pessoas que praticam exercícios entre os grupos mais vulneráveis ao calor extremo.

Calor extremo é uma preocupação crescente de saúde pública

A OMS alerta que a exposição da população ao calor extremo cresce em todas as regiões do mundo e que ondas de calor estão se tornando mais frequentes, intensas e prolongadas.

Gestantes, recém-nascidos, crianças pequenas, idosos e pessoas com doenças crônicas estão entre os grupos que podem sofrer consequências mais graves.

Os organismos internacionais defendem que planos públicos de resposta ao calor levem em consideração de forma específica a saúde materna, neonatal e infantil.

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