Saúde

Surto de Vírus Nipah Coloca a Índia em Alerta e Acende Vigilância Sanitária

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Autoridades sanitárias na Índia voltaram a mobilizar protocolos de contenção diante de um novo alerta envolvendo o vírus Nipah (NiV), agente zoonótico raro, porém associado a quadros graves de encefalite e insuficiência respiratória. O episódio mais recente concentra-se na região de Kolkata/Barasat, em Bengala Ocidental, e tem como característica central a possibilidade de transmissão em ambiente hospitalar.

Segundo um informe de monitoramento de surtos do governo britânico, em 13 de janeiro de 2026 foram notificados 2 casos confirmados em Kolkata (Bengala Ocidental), ambos trabalhadores de saúde, confirmados por RT-PCR por instituições indianas (AIIMS Kalyani e National Institute of Virology, Pune). O documento cita que os pacientes estavam internados em terapia intensiva em Barasat e que investigações epidemiológicas seguiam em andamento para determinar a fonte de infecção, com mobilização de equipe conjunta nacional para testagem e rastreio de contatos.

Já um comunicado oficial do Departamento de Saúde de Hong Kong, ao informar medidas de triagem e sua avaliação de risco, afirmou que informações preliminares indicavam que um hospital em Kolkata registrou cinco casos confirmados desde meados de janeiro, em um cluster principalmente nosocomial (hospitalar) e envolvendo sobretudo profissionais de saúde, com aproximadamente 100 contatos próximos colocados em quarentena e testados na Índia; o órgão disse não haver, até então, registro de óbitos nesse cluster nem de transmissão transfronteiriça.

Por que o Nipah preocupa autoridades de saúde

O Nipah é monitorado de perto porque, embora não seja um vírus de alta circulação sustentada em humanos, pode causar doença severa e tem letalidade elevada em surtos. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima taxa de letalidade entre 40% e 75%, variando conforme o contexto de vigilância e manejo clínico. A apresentação clínica pode ir de infecção assintomática a encefalite fatal, com sintomas iniciais como febre, cefaleia e manifestações respiratórias, podendo evoluir rapidamente para comprometimento neurológico.

Além disso, o Nipah integra a lista de ameaças do WHO R&D Blueprint, iniciativa que prioriza patógenos com potencial epidêmico para acelerar pesquisa e desenvolvimento de contramedidas.

Como ocorre a transmissão — e por que o “ambiente hospitalar” é um ponto sensível

A OMS descreve como reservatórios naturais morcegos frugívoros, com transmissão possível por alimentos contaminados (um exemplo recorrente é seiva crua de tamareira em contextos asiáticos) e por contato com animais doentes; também pode haver transmissão pessoa-a-pessoa por contato próximo com secreções e em serviços de saúde quando medidas de controle de infecção falham.

Na prática, isso faz com que a resposta sanitária se concentre em três eixos: detecção precoce, isolamento e precauções hospitalares, e rastreamento de contatos — especialmente quando os primeiros casos aparecem entre profissionais de saúde ou quando há indício de transmissão nosocomial.

Existe vacina ou tratamento específico?

Até o momento, não há vacina aprovada nem antiviral específico amplamente validado para Nipah; o manejo é majoritariamente suporte clínico e controle rigoroso de infecção para reduzir transmissão.

O que se sabe (e o que ainda está sendo apurado)

Os informes disponíveis indicam um evento localizado com ações de contenção em curso, mas ainda há pontos que normalmente demandam confirmação em investigações desse tipo: a cadeia exata de transmissão, a fonte primária (ex.: exposição ambiental/zoonótica versus introdução por um caso índice) e a dimensão final do cluster.

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