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Grávida pode Treinar? Entenda Benefícios, Limites e Sinais de Alerta

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Durante muito tempo, a ideia de “repouso” dominou o senso comum sobre gravidez. Hoje, o consenso científico é outro: para a maioria das gestações sem complicações, manter-se fisicamente ativa é seguro e traz benefícios para a saúde materna e do bebê. Diretrizes internacionais e nacionais convergem em um ponto central: gestantes devem somar, ao longo da semana, pelo menos 150 minutos de atividade aeróbica moderada, o que pode ser distribuído, por exemplo, em 30 minutos por dia, cinco vezes na semana.

A recomendação também aparece em orientações clínicas amplamente usadas na obstetrícia: a ACOG (colégio de obstetras e ginecologistas dos EUA) destaca que o exercício na gestação costuma ter risco mínimo para a maioria das mulheres e pode ser ajustado conforme sintomas, trimestre e histórico de atividade.

Benefícios já bem documentados

As evidências mais consistentes mostram ganhos especialmente em três frentes: controle metabólico, saúde cardiovascular e bem-estar emocional.

Um dos achados mais repetidos na literatura é a relação entre exercício e menor risco de diabetes gestacional. Uma meta-análise de 2023 observou redução do risco de diabetes gestacional em grupos que fizeram exercício versus controles (RR 0,66).
Também há sinais favoráveis para desfechos relacionados à pressão arterial: uma meta-análise de 2024 encontrou menores chances de distúrbios hipertensivos na gravidez com exercício (OR 0,81, limite superior do IC encostando em 1,00, o que indica efeito pequeno a moderado e dependente do conjunto de estudos).

Além disso, órgãos de saúde pública ressaltam benefícios práticos: menor risco de ganho de peso excessivo na gestação e melhora de sintomas de humor no pós-parto.

O cenário no Brasil: ainda há pouco movimento

Mesmo com recomendações claras, a adesão nem sempre acompanha. Um estudo brasileiro com dados de capitais (série de 2007 a 2017) apontou que, em 2017, 37,6% das gestantes relataram alguma atividade física no lazer — e apenas 2,3% atingiam ≥150 min/semana no lazer (houve melhora ao longo do tempo, mas o patamar de “atingir a meta” no lazer permaneceu baixo).
Isso sugere que, na vida real, o desafio não é só “poder ou não poder”, mas como tornar a atividade viável dentro de rotina, sintomas e condições sociais.

O que conta como “atividade moderada”?

Em geral, atividade moderada é aquela que aumenta a respiração e a frequência cardíaca, mas ainda permite falar frases curtas — o chamado “teste da fala”. Caminhada em ritmo mais firme, hidroginástica, bicicleta ergométrica e dança leve costumam se encaixar aqui.

Para quem já treinava antes, muitas diretrizes aceitam manter exercícios (com adaptações), desde que a gestação seja de baixo risco e haja acompanhamento no pré-natal.

Exercícios geralmente indicados (e os que costumam ser evitados)

Entre as modalidades mais recomendadas para a maioria das gestantes estão:

  • Caminhada e atividades aeróbicas de baixo impacto
  • Natação/hidroginástica
  • Fortalecimento/musculação leve a moderada, com ajuste de carga e técnica
  • Exercícios de assoalho pélvico
  • Yoga/pilates adaptados para gestantes

Já as orientações de segurança costumam pedir para evitar atividades com risco de queda, trauma abdominal ou colisão, além de práticas com condições fisiológicas incompatíveis com a gestação (ex.: mergulho autônomo).

Sinais de alerta: quando parar e procurar assistência

Diretrizes clínicas incluem sinais que exigem interromper o exercício e buscar avaliação, como sangramento vaginal, tontura persistente, dor no peito, falta de ar intensa, contrações dolorosas regulares, perda de líquido ou redução importante de movimentos fetais. Esse tipo de orientação aparece de forma padronizada em materiais de saúde pública e recomendações clínicas.

Como começar (sem “8 ou 80”)

Para gestantes que estavam sedentárias, a principal orientação é: começar gradual. Em vez de tentar bater 150 minutos logo na primeira semana, vale iniciar com blocos curtos (10–15 min), aumentar dias e duração, e observar a resposta do corpo (sono, dor, cansaço, tontura). A regularidade tende a importar mais do que “treinos perfeitos”.

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