Alimentação

Doença de Newcastle é confirmada em Santa Catarina; há risco para humanos?

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O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) confirmou um foco da doença de Newcastle em uma granja comercial de perus localizada em Nova Itaberaba, no Oeste de Santa Catarina.

O diagnóstico foi confirmado em 18 de outubro de 2026, após investigação do Serviço Veterinário Oficial e análise realizada pelo Laboratório Federal de Defesa Agropecuária de São Paulo, referência internacional para a doença. A confirmação foi divulgada oficialmente pelo ministério no dia seguinte.

A propriedade foi interditada e medidas sanitárias de contenção e erradicação foram iniciadas.

Apesar do nome pouco conhecido do público, a doença de Newcastle é uma enfermidade viral altamente contagiosa entre aves e pode provocar surtos graves em criações.

Para a população, porém, o risco é muito diferente.

Segundo o Mapa, não há risco à saúde humana pelo consumo de carne de aves e ovos provenientes de estabelecimentos submetidos à inspeção sanitária oficial.

O que é a doença de Newcastle?

A doença de Newcastle é causada por variantes virulentas de um vírus conhecido como paramixovírus aviário tipo 1.

Ela afeta principalmente aves domésticas e silvestres.

Dependendo da cepa envolvida, a doença pode variar de formas leves até quadros graves, com elevada mortalidade em aves.

Entre os possíveis sinais nas aves estão:

  • dificuldade para respirar;
  • tosse e espirros;
  • alterações neurológicas;
  • tremores;
  • paralisia das asas ou pernas;
  • torção do pescoço;
  • diarreia;
  • queda na produção de ovos;
  • mortalidade elevada e repentina.

Os sintomas podem se parecer com os provocados pela influenza aviária, razão pela qual a confirmação precisa ser feita por exames laboratoriais.

A doença de Newcastle pega em humanos?

Pode acontecer, mas é raro e geralmente leve.

A Organização Mundial de Saúde Animal classifica a doença de Newcastle como uma zoonose de baixa importância para a saúde pública.

Quando ocorre infecção humana, a manifestação mais relatada é conjuntivite, normalmente leve e autolimitada.

Os casos descritos estão principalmente associados a pessoas que tiveram exposição profissional ou intensa a grandes quantidades do vírus, como trabalhadores de laboratório ou pessoas envolvidas diretamente no manejo de aves infectadas.

Para a população em geral, portanto, o risco é considerado baixo.

Posso continuar comendo frango e ovos?

Sim.

O Ministério da Agricultura afirma que produtos avícolas provenientes de estabelecimentos submetidos à inspeção sanitária oficial continuam seguros para consumo.

Na coletiva realizada após a confirmação do foco, o ministério reforçou que a ocorrência não representa risco pelo consumo da carne.

A Cidasc, responsável pela defesa sanitária animal em Santa Catarina, também informou que carne de aves e ovos inspecionados permanecem seguros para a população.

Produtos inspecionados podem trazer na embalagem selos como:

  • SIF — Serviço de Inspeção Federal;
  • SIE — Serviço de Inspeção Estadual;
  • SIM — Serviço de Inspeção Municipal.

A orientação reforça a importância de adquirir alimentos de origem animal de fornecedores regulares e fiscalizados.

Como a doença se espalha entre as aves?

A transmissão ocorre principalmente pelo contato direto com aves infectadas.

O vírus pode ser eliminado pelas secreções respiratórias e pelas fezes e contaminar:

  • água;
  • ração;
  • equipamentos;
  • roupas;
  • calçados;
  • caixas e veículos;
  • outros materiais presentes no ambiente da criação.

O vírus também pode permanecer no ambiente por algum tempo, especialmente em condições favoráveis, contribuindo para a disseminação entre propriedades quando medidas de biossegurança não são adotadas.

Por isso, surtos em granjas comerciais exigem resposta rápida das autoridades veterinárias.

O que aconteceu em Santa Catarina?

O foco foi identificado em uma propriedade comercial destinada à criação de perus para corte, em Nova Itaberaba.

A investigação foi conduzida pelo Serviço Veterinário Oficial de Santa Catarina, e as amostras foram encaminhadas ao Laboratório Federal de Defesa Agropecuária de São Paulo.

Com a confirmação, a propriedade foi interditada e começaram as ações para impedir a disseminação do vírus.

Segundo as autoridades catarinenses, também foram reforçadas as medidas de vigilância epidemiológica e monitoramento das propriedades localizadas na região do foco.

O que acontece com as aves da propriedade?

Quando um foco de doença de Newcastle é confirmado, são adotadas medidas sanitárias rigorosas para impedir que o vírus alcance outras criações.

A Organização Mundial de Saúde Animal prevê, entre as estratégias utilizadas no controle de surtos:

  • isolamento da propriedade;
  • restrição da movimentação de aves;
  • eliminação sanitária das aves infectadas ou expostas quando determinada pela autoridade;
  • limpeza e desinfecção das instalações;
  • descarte adequado das carcaças;
  • investigação de possíveis propriedades relacionadas;
  • reforço da vigilância na região.

As medidas específicas aplicadas em Santa Catarina são coordenadas pelo Mapa e pelos órgãos estaduais de defesa sanitária animal.

Por que a doença preocupa tanto a avicultura?

Embora o risco para a população seja baixo, a doença de Newcastle pode provocar grande impacto sanitário e econômico na produção de aves.

O vírus é altamente contagioso e, dependendo da variante, pode causar mortalidade muito elevada em um plantel.

Além disso, a confirmação de um foco pode provocar restrições temporárias ao comércio internacional.

Após o caso de Santa Catarina, alguns parceiros comerciais adotaram medidas temporárias sobre produtos avícolas brasileiros. O México, por exemplo, suspendeu temporariamente importações de determinadas aves e produtos provenientes de todo o Brasil. Outros países adotaram restrições limitadas a Santa Catarina ou à região afetada.

Essas medidas comerciais têm caráter sanitário e não significam que carne de frango ou ovos disponíveis no mercado brasileiro sejam impróprios para consumo.

É a mesma coisa que gripe aviária?

Não.

A doença de Newcastle e a influenza aviária são provocadas por vírus diferentes.

No entanto, as duas enfermidades podem causar sinais respiratórios e neurológicos semelhantes nas aves.

Por isso, somente os sintomas não são suficientes para distinguir uma doença da outra, e exames laboratoriais são necessários para confirmar o diagnóstico.

Quem cria aves deve ficar atento

Proprietários de granjas comerciais, criações de subsistência e pessoas que mantêm aves domésticas devem observar alterações incomuns.

Entre os principais sinais de alerta estão:

  • muitas aves adoecendo ao mesmo tempo;
  • mortes repentinas;
  • dificuldade respiratória;
  • alterações neurológicas;
  • queda acentuada na produção de ovos.

Em Santa Catarina, a Cidasc orienta que suspeitas sejam notificadas imediatamente ao Serviço Veterinário Oficial.

No restante do país, suspeitas de doenças de notificação obrigatória em animais também podem ser comunicadas pelo sistema e-Sisbravet, do Ministério da Agricultura.

Preciso evitar contato com aves?

Para a população em geral, não há recomendação de evitar aves saudáveis ou deixar de consumir produtos avícolas inspecionados.

O cuidado maior é com aves doentes ou mortas sem causa conhecida.

Pessoas não devem manipular animais encontrados mortos ou com sinais importantes de doença sem orientação das autoridades veterinárias.

Trabalhadores que participam diretamente do manejo de aves potencialmente infectadas precisam seguir medidas de biossegurança e utilizar equipamentos de proteção adequados.

Quais sintomas podem aparecer em humanos?

Embora a infecção humana seja incomum, o sintoma mais reconhecido é a conjuntivite.

A pessoa pode apresentar:

  • vermelhidão nos olhos;
  • lacrimejamento;
  • irritação;
  • inchaço das pálpebras.

A Organização Mundial de Saúde Animal afirma que essas infecções geralmente são leves e autolimitadas.

Quem trabalha diretamente com aves e apresenta sintomas após exposição a animais suspeitos deve informar o histórico de contato ao procurar atendimento de saúde.

Há motivo para preocupação no Brasil?

Para quem consome carne de aves e ovos provenientes do mercado formal, não há indicação de mudança na alimentação por causa do foco registrado em Santa Catarina.

O episódio exige atenção principalmente das autoridades sanitárias e da cadeia produtiva, porque o vírus pode se disseminar rapidamente entre aves.

O Mapa mantém medidas de contenção, investigação e vigilância para determinar a extensão do foco e impedir novos casos.

A principal mensagem para a população é simples: a doença de Newcastle é grave para as aves, mas representa risco muito baixo para humanos, e produtos avícolas inspecionados continuam seguros para consumo.

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