Saúde

SUS começa a oferecer nove novos medicamentos contra o câncer

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O Sistema Único de Saúde (SUS) começa a oferecer nesta semana nove medicamentos oncológicos de alta tecnologia, destinados a 13 indicações diferentes de tratamento contra o câncer.

A nova etapa inclui terapias para câncer de mama, próstata, pulmão, rim, estômago, tireoide, leucemias, linfomas e tumores neuroendócrinos, entre outras condições.

Segundo o Ministério da Saúde, a previsão é beneficiar mais de 116 mil pessoas. A distribuição começa em 20 centros especializados espalhados pelo país e deverá alcançar os demais centros até o fim de 2026.

O Distrito Federal está entre os locais contemplados na primeira fase.

Quais são os nove medicamentos?

A lista divulgada pelo Ministério da Saúde inclui:

  • trastuzumabe — para câncer de estômago ou da junção esofagogástrica;
  • abemaciclibe — para determinados casos de câncer de mama precoce RH positivo, HER2 negativo e com linfonodo positivo;
  • acetato de lanreotida — para tumores neuroendócrinos;
  • pazopanibe — para câncer renal de células claras metastático;
  • rituximabe — para leucemia linfocítica crônica em primeira linha, linfoma folicular e linfoma difuso;
  • abiraterona — para diferentes situações do câncer de próstata, incluindo doença metastática;
  • gefitinibe — para determinados casos de câncer de pulmão de não pequenas células em primeira linha;
  • alfatirotropina (TSH recombinante) — para câncer diferenciado de tireoide com indicação de tratamento com iodo radioativo;
  • sunitinibe — para câncer renal de células claras metastático e tumor estromal gastrointestinal (GIST) avançado ou metastático após falha ao imatinibe.

A indicação de cada medicamento depende do tipo de tumor, estágio da doença, características moleculares e condição clínica do paciente.

Isso significa que a presença de um determinado tipo de câncer na lista não torna automaticamente todos os pacientes elegíveis para aquela terapia.

Alguns tratamentos já existiam no SUS

Apesar de o anúncio tratar da nova oferta de nove medicamentos oncológicos, isso não significa que todas essas moléculas sejam completamente inéditas na rede pública.

O trastuzumabe, por exemplo, já é utilizado pelo SUS no tratamento de determinados tipos de câncer de mama. Agora, sua oferta está sendo ampliada para pacientes com câncer de estômago ou da junção esofagogástrica.

O pazopanibe também passa a ser disponibilizado para uma indicação específica de câncer renal metastático.

Segundo o Ministério da Saúde, alguns dos tratamentos já haviam sido incorporados ao SUS anos atrás, mas ainda aguardavam uma estrutura que permitisse sua oferta efetiva nos serviços.

Medicamento para câncer de mama pode custar R$ 366 mil na rede privada

Entre os tratamentos destacados pelo governo está o abemaciclibe, utilizado em determinados casos de câncer de mama precoce.

Segundo o Ministério da Saúde, esse tratamento pode atingir custo de aproximadamente R$ 366 mil na rede privada.

Com a nova estratégia, pacientes que atendam aos critérios clínicos poderão ter acesso ao medicamento pelo SUS.

Tratamentos podem aumentar sobrevida

Os medicamentos atuam de maneiras diferentes conforme o tipo e as características do tumor.

Alguns são utilizados no controle de doença avançada ou metastática. Outros podem ser empregados depois da cirurgia mesmo quando não existe mais tumor visível, com objetivo de reduzir o risco de a doença retornar.

Entre os benefícios esperados estão aumento da sobrevida e melhora da qualidade de vida para pacientes que apresentam indicação adequada para cada tratamento.

Primeira etapa inclui o Distrito Federal

A implantação começa em 20 centros de tratamento.

As unidades participantes estão distribuídas por 16 estados e pelo Distrito Federal, contemplando todas as regiões do país:

  • São Paulo;
  • Paraná;
  • Bahia;
  • Ceará;
  • Pernambuco;
  • Piauí;
  • Pará;
  • Amazonas;
  • Rio de Janeiro;
  • Paraíba;
  • Minas Gerais;
  • Goiás;
  • Rondônia;
  • Rio Grande do Sul;
  • Tocantins;
  • Sergipe;
  • Distrito Federal.

A expectativa do Ministério da Saúde é expandir a oferta para os demais centros oncológicos até o final do ano.

Como o paciente terá acesso?

Os medicamentos não serão retirados diretamente em uma farmácia comum do SUS.

O tratamento oncológico é realizado em unidades habilitadas na rede, como hospitais e centros de oncologia.

A equipe responsável avalia o diagnóstico, estágio da doença e demais características do tumor para definir qual tratamento é indicado.

Com a nova Assistência Farmacêutica Oncológica, o Ministério da Saúde afirma que os fluxos de solicitação, registro, controle e distribuição dos medicamentos passam a funcionar de maneira mais integrada e digital.

Governo prevê 23 novos fármacos até o fim do ano

Os nove medicamentos fazem parte de uma ampliação maior do tratamento oncológico no SUS.

A previsão do Ministério da Saúde é chegar a 23 novos fármacos oncológicos até o fim de 2026, o que representaria crescimento de aproximadamente 35% nas alternativas disponíveis na rede pública.

A estratégia envolve diferentes modelos de aquisição.

Para os 23 medicamentos, o Ministério da Saúde assumiu diretamente a compra e negociação de dez fármacos, organizou uma ata nacional para facilitar a aquisição de outros nove por preços menores e aumentou o financiamento dos serviços para outros quatro.

O impacto estimado da estratégia completa é de R$ 4 bilhões por ano.

Já os nove medicamentos que começam a ser ofertados nesta semana representam gasto anual estimado em R$ 155,4 milhões.

Mudança tenta resolver espera de mais de uma década

Um dos problemas históricos da assistência oncológica é que a incorporação de um medicamento ao SUS não significa necessariamente que ele passe a chegar imediatamente aos pacientes.

Segundo o Ministério da Saúde, alguns dos tratamentos que começam agora a ser disponibilizados estavam incorporados havia mais de dez anos, mas ainda não tinham oferta efetiva nos serviços.

A reorganização está sendo feita por meio da Assistência Farmacêutica Oncológica (AF-Onco), que estabeleceu critérios para aquisição, distribuição, dispensação e acompanhamento dos medicamentos utilizados no tratamento do câncer no SUS.

SUS também começa rastreamento de câncer colorretal

O anúncio desta terça-feira não ficou restrito aos medicamentos.

O Ministério da Saúde também informou que começará a distribuir 400 mil testes imunoquímicos fecais (FIT) para rastreamento do câncer colorretal.

A estratégia é destinada inicialmente a homens e mulheres assintomáticos entre 50 e 75 anos.

Quando o exame indicar necessidade de investigação adicional, o paciente poderá ser encaminhado para colonoscopia.

Teste de DNA-HPV também está sendo ampliado

Outra mudança em implantação é o rastreamento do câncer do colo do útero por meio do teste de DNA-HPV.

O método permite identificar a presença de tipos de HPV associados a maior risco de desenvolvimento de câncer antes do surgimento de alterações mais avançadas.

Como complemento, o Ministério da Saúde informou que financiará a citologia reflexa em meio líquido quando houver necessidade de avaliação adicional da mesma amostra.

Cirurgias menos invasivas entram na estratégia

O SUS também passa a custear cirurgias videotorácicas oncológicas, utilizadas principalmente em determinados procedimentos relacionados ao câncer de pulmão.

A técnica utiliza pequenas incisões, câmera e instrumentos específicos e pode reduzir tempo de internação e complicações após a cirurgia em pacientes adequadamente selecionados.

O que muda para quem está em tratamento contra o câncer?

A entrada dos medicamentos não significa que pacientes devam interromper ou modificar o tratamento atual.

A escolha da terapia continua sendo feita pela equipe de oncologia de acordo com o diagnóstico e o protocolo adequado para cada caso.

Quem já está em acompanhamento pelo SUS e acredita que uma das novas opções pode ser indicada deve conversar com a equipe responsável pelo tratamento.

A expansão representa principalmente a possibilidade de acesso pelo sistema público a terapias que, em alguns casos, tinham custo elevado ou ainda não estavam efetivamente disponíveis apesar de já terem sido incorporadas.

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