Menopausa: veja os sintomas mais comuns e quando procurar ajuda
Ondas de calor repentinas, noites mal dormidas, mudanças de humor, lapsos de memória e desconforto durante as relações sexuais podem fazer parte da transição para a menopausa.
Neste 18 de outubro, Dia Mundial da Menopausa, especialistas reforçam que essa é uma fase natural da vida da mulher, mas isso não significa que sintomas capazes de comprometer o sono, a rotina, o trabalho ou a vida sexual precisem simplesmente ser suportados.
A menopausa corresponde à última menstruação da mulher e costuma acontecer, em média, por volta dos 50 anos. Antes dela existe uma fase de transição, conhecida como climatério ou perimenopausa, durante a qual os ciclos menstruais e os níveis hormonais começam a mudar.
Por isso, os sintomas podem surgir anos antes de a menstruação parar definitivamente.
Quais são os sintomas mais comuns da menopausa?
Segundo a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), estão entre as manifestações mais frequentes:
- ondas de calor, conhecidas como fogachos;
- suor noturno;
- dificuldade para dormir;
- despertares durante a noite;
- irritabilidade;
- ansiedade;
- alterações do humor;
- falta de energia;
- lapsos de memória ou dificuldade de concentração;
- ressecamento vaginal;
- dor ou desconforto durante as relações sexuais;
- redução da libido.
A intensidade e a combinação desses sintomas variam bastante.
Algumas mulheres atravessam o período com poucas alterações, enquanto outras apresentam sintomas importantes e persistentes, capazes de afetar significativamente a qualidade de vida.
Ondas de calor estão entre os sintomas mais característicos
Os chamados fogachos são uma das manifestações mais conhecidas da transição menopausal.
A mulher pode sentir uma onda súbita de calor, principalmente no rosto, pescoço e parte superior do corpo, acompanhada ou não de suor, vermelhidão da pele e sensação de desconforto.
Quando acontecem durante a noite, podem provocar despertares repetidos e prejudicar o sono.
A Febrasgo destaca que os sintomas vasomotores estão entre os que mais interferem na rotina e no bem-estar das mulheres nessa fase.
Menopausa também pode afetar o sono
Insônia e despertares frequentes são queixas comuns.
Os fogachos noturnos podem interromper o sono várias vezes, mas nem toda alteração do sono nessa faixa etária deve ser automaticamente atribuída à menopausa.
A Febrasgo alerta que insônia persistente não deve ser encarada simplesmente como algo normal da idade.
Problemas como apneia do sono, ansiedade, depressão e outras condições também podem estar envolvidos e precisam ser investigados quando os sintomas persistem.
E a chamada “névoa mental”?
Algumas mulheres relatam dificuldade de concentração, esquecimentos ou sensação de raciocínio mais lento durante a transição para a menopausa.
Essas alterações são frequentemente descritas como “névoa mental”.
Sono ruim, alterações hormonais, ansiedade, estresse e outras condições podem contribuir para essas queixas.
Isso não significa, por si só, desenvolvimento de demência.
Quando alterações de memória são intensas, progressivas ou começam a comprometer atividades do dia a dia, entretanto, é importante buscar avaliação médica.
Ressecamento vaginal também é frequente
A queda dos níveis de estrogênio pode causar alterações nos tecidos da vagina e do trato urinário.
Entre as possíveis manifestações estão:
- ressecamento vaginal;
- ardência;
- coceira;
- desconforto ou dor durante a relação sexual;
- alterações urinárias;
- maior frequência de algumas infecções urinárias.
Esses sintomas podem aparecer ou se intensificar após a menopausa e existem tratamentos específicos, hormonais e não hormonais, dependendo do caso.
Toda dor, palpitação ou queda de cabelo é menopausa?
Não.
Esse é um ponto importante.
A Febrasgo chama atenção para sintomas como:
- palpitações;
- dores articulares;
- queda de cabelo;
- pele ressecada.
Eles podem ocorrer nessa fase da vida, mas nem sempre são provocados diretamente pela menopausa.
Palpitações, por exemplo, também podem ter relação com alterações da tireoide, arritmias, ansiedade, anemia ou outras condições.
Da mesma forma, queda de cabelo e dores persistentes merecem investigação quando importantes ou progressivas.
Dor crônica é tema do Dia Mundial da Menopausa em 2026
Neste ano, a International Menopause Society escolheu como tema do Dia Mundial da Menopausa “Dor crônica na meia-idade”.
A proposta é chamar atenção para a necessidade de reconhecer e investigar adequadamente dores persistentes nessa fase da vida, sem assumir que todo desconforto seja apenas uma consequência inevitável do envelhecimento ou da menopausa.
Quando procurar um médico?
Não é necessário esperar os sintomas ficarem intensos.
Vale conversar com o ginecologista ou outro profissional de saúde quando mudanças físicas ou emocionais começam a interferir na qualidade de vida.
Entre as situações que merecem avaliação estão:
- ondas de calor frequentes ou intensas;
- insônia persistente;
- alterações importantes de humor;
- ansiedade ou sintomas depressivos;
- dor durante as relações sexuais;
- ressecamento vaginal importante;
- alterações urinárias recorrentes;
- sangramento inesperado;
- sintomas que prejudicam trabalho ou atividades diárias;
- dúvidas sobre terapia hormonal;
- menopausa ocorrendo muito precocemente.
Além de tratar sintomas, a consulta nessa fase é uma oportunidade para revisar saúde cardiovascular, pressão arterial, colesterol, glicemia, saúde óssea, vacinação e outros cuidados preventivos.
Sangramento depois da menopausa deve ser avaliado
Depois que a menopausa está estabelecida, um sangramento vaginal inesperado merece investigação.
Isso não significa necessariamente que exista uma doença grave, mas o sintoma não deve ser ignorado.
Mesmo mulheres em terapia hormonal podem apresentar sangramentos, principalmente nos primeiros meses de adaptação, mas o padrão, a duração e o momento em que surgem precisam ser avaliados individualmente.
Terapia hormonal funciona?
Para mulheres adequadamente selecionadas, sim.
A terapia hormonal da menopausa continua sendo considerada o tratamento mais eficaz para os sintomas vasomotores, como ondas de calor e suores noturnos.
Também pode ter papel importante no tratamento de sintomas geniturinários e na prevenção da perda de massa óssea em determinadas situações.
Mas ela não deve ser iniciada automaticamente para toda mulher.
A decisão precisa considerar:
- idade;
- tempo desde o início da menopausa;
- intensidade dos sintomas;
- histórico de saúde;
- risco cardiovascular;
- risco de trombose;
- histórico de câncer de mama e outros tumores;
- presença ou ausência de útero;
- medicamentos em uso;
- preferência da paciente.
Para mulheres saudáveis e sintomáticas com menos de 60 anos ou nos primeiros dez anos após a menopausa, a relação entre benefícios e riscos costuma ser favorável quando não existem contraindicações, segundo a Febrasgo.
Terapia hormonal não é a única opção
Mulheres que não desejam ou não podem utilizar terapia hormonal também podem ter alternativas.
Dependendo dos sintomas, o tratamento pode envolver:
- medicamentos não hormonais;
- terapias locais para ressecamento vaginal;
- hidratantes e lubrificantes vaginais;
- acompanhamento psicológico;
- tratamento específico dos distúrbios do sono;
- atividade física;
- ajustes no estilo de vida.
A escolha deve ser individualizada.
Existem medicamentos não hormonais para ondas de calor
As opções de tratamento vêm aumentando.
Em junho de 2026, a Anvisa aprovou no Brasil o fezolinetanto, medicamento não hormonal destinado ao tratamento de sintomas vasomotores moderados a intensos associados à menopausa.
Ele atua em mecanismos do sistema nervoso envolvidos no controle da temperatura corporal e pode ser uma alternativa em determinadas situações, especialmente quando a terapia hormonal não é indicada ou não é desejada.
O uso deve ser definido pelo médico.
E os fitoterápicos?
Produtos como isoflavonas, cimicífuga e maca peruana são frequentemente divulgados como alternativas “naturais” para aliviar sintomas da menopausa.
A Febrasgo, entretanto, alerta que as evidências disponíveis são limitadas ou inconsistentes para vários desses produtos, principalmente no tratamento das ondas de calor.
Por isso, eles não devem substituir automaticamente terapias de eficácia comprovada.
“Natural” também não significa necessariamente isento de efeitos adversos ou interações medicamentosas.
Atividade física continua importante
Exercício não elimina todos os sintomas da menopausa, mas faz parte do cuidado geral nessa fase.
A atividade física regular contribui para manutenção da massa muscular, saúde cardiovascular, controle do peso, saúde óssea e bem-estar emocional.
O período também merece atenção para hábitos como:
- alimentação equilibrada;
- sono adequado;
- evitar tabagismo;
- moderar o consumo de álcool;
- manter atividade física;
- acompanhar pressão, colesterol e glicemia;
- cuidar da saúde óssea.
Menopausa não deve significar perda de qualidade de vida
A menopausa é uma etapa fisiológica, e não uma doença.
Mas isso não significa que sintomas importantes devam ser normalizados ou ignorados.
Como reforça a Febrasgo neste Dia Mundial da Menopausa, cada mulher vivencia essa transição de forma diferente e o cuidado precisa ser individualizado.
Ondas de calor, noites mal dormidas, alterações emocionais ou desconforto sexual que interferem na rotina merecem avaliação.
Hoje existem diferentes estratégias — hormonais e não hormonais — capazes de reduzir sintomas e melhorar a qualidade de vida.
