SES-DF Começa a Usar Teste de DNA-HPV
O Distrito Federal está entre os primeiros locais do Brasil a usar, na rede pública, o teste de DNA-HPV para rastrear o vírus associado ao câncer de colo do útero. Com isso, o Laboratório Central de Saúde Pública do Distrito Federal, o Lacen-DF, passa a ampliar a capacidade de identificação precoce do risco para a doença.
O projeto piloto começou em março de 2026 e, desde então, já analisou cerca de 500 amostras de pacientes das Regiões de Saúde Sudoeste e Oeste. A Região Sudoeste inclui Águas Claras, Recanto das Emas, Samambaia, Taguatinga, Vicente Pires e Água Quente. Já a Região Oeste reúne Brazlândia, Ceilândia, Pôr do Sol e Sol Nascente.
A Secretaria de Saúde pretende atender 3,5 mil mulheres até o fim de junho. Além disso, a pasta quer avaliar os principais desafios da implantação, ajustar os fluxos de atendimento e, depois, preparar a ampliação do teste para todo o Distrito Federal.
Exame detecta HPV de alto risco com mais precisão
O novo método oferece maior sensibilidade na identificação do HPV de alto risco. Por isso, o exame consegue apontar a presença do vírus antes do aparecimento de lesões no colo do útero.
O teste de DNA-HPV identifica 14 genótipos do papilomavírus humano relacionados a maior risco de câncer. Entre eles, os tipos 16 e 18 exigem atenção especial, pois aparecem em grande parte dos casos de câncer de colo do útero.
Além de melhorar o rastreamento precoce, a tecnologia pode reduzir exames e procedimentos desnecessários. Quando o resultado dá negativo, por exemplo, a paciente pode repetir a coleta em um intervalo maior. Nesse caso, a recomendação geral é fazer um novo exame a cada cinco anos.
Como funciona a coleta
A coleta ocorre de forma parecida com o papanicolau. Primeiro, o profissional de saúde retira o material do colo do útero, na região da junção escamocolunar, com espátula e escovinha. Depois disso, a unidade encaminha a amostra para análise por PCR, técnica de biologia molecular que identifica o material genético do vírus.
As Unidades Básicas de Saúde fazem a coleta e, em seguida, enviam o material ao Lacen-DF. No laboratório, as equipes processam as amostras e liberam os resultados para a rede de atenção.
Implantação avança de forma gradual no SUS
O Ministério da Saúde definiu a inclusão do teste de DNA-HPV no Sistema Único de Saúde. No entanto, a implantação ocorre de forma gradual, com participação inicial de 12 estados brasileiros, além do Distrito Federal.
A estratégia prevê, a cada ano, a realização do exame em cerca de um quinto da população feminina elegível. Dessa forma, o sistema consegue organizar a demanda e, ao mesmo tempo, ampliar o acesso com mais segurança.
Nos primeiros anos, o programa também segue uma ordem de prioridade. Assim, a rede pública concentra o rastreamento nas mulheres com maior risco de desenvolver a doença.
O que acontece após o resultado
Quando o exame identifica os tipos 16 ou 18 do HPV, a equipe de saúde encaminha a paciente para colposcopia. Esse exame permite observar o colo do útero com mais detalhes e, portanto, ajuda a orientar os próximos passos do cuidado.
Se o teste aponta outros tipos de HPV de alto risco, a própria amostra segue para citologia reflexa. Nessa etapa, o Núcleo de Citologia do Hospital Materno Infantil de Brasília, o Hmib, verifica se existem alterações celulares.
Quando o resultado dá negativo, a recomendação é repetir o exame após cinco anos. Com isso, a paciente mantém o acompanhamento preventivo e evita coletas desnecessárias.
HPV positivo não significa câncer
Um resultado positivo para HPV de alto risco não significa diagnóstico de câncer de colo do útero. Na prática, o exame indica que a paciente precisa de acompanhamento e, em alguns casos, de avaliação complementar.
A equipe de saúde define a conduta conforme o resultado do teste molecular, da citologia reflexa e, quando necessário, da colposcopia. Depois da liberação dos resultados, a Atenção Primária orienta as pacientes, acompanha cada caso e realiza os encaminhamentos indicados.
Com a implantação do novo teste, o DF fortalece o rastreamento do câncer de colo do útero. Além disso, a medida amplia a prevenção, favorece o diagnóstico precoce e melhora o acompanhamento das mulheres na rede pública de saúde.
